Eu estou torcendo para que 2018 seja o ano que a academia de cinema americana, responsável pelo Oscar, reveja seus padrões e aprenda com seus erros e indique a chilena Daniela Vega para o prêmio de melhor atriz por seu papel no chileno Uma Mulher Fantástica.
Essa seria (será) a primeira vez quem uma atriz trans seria (será) indicada ao prêmio.
E eles aprenderiam com seus erros porque atriz (e também trans) Kitana Kiki Rodriguez de Tangerine, a já legendária Sin-Dee deveria ter sido indicada ano passado.
Como nada nunca é como a gente quer, resta fazer promessa e rezar pra todos os deuses do cinema para que isso aconteça porque Daniela vive sua personagem nesta pérola chilena.
No filme Daniela é Marina, uma cantora (também trans) casada, com um emprego de garçonete durante o dia para complementar a vida que nunca é fácil, como ela diz no filme.
Chegando uma noite em casa depois de um jantar com seu companheiro, ele passa mal, cai da escada e morre chegando no hospital.
O que seria uma situação usual para qualquer casal, no caso de Marina acaba virando seu pior pesadelo.
Primeiro porque ela é trans e ninguém no hospital, em princípio, ou na polícia, acredita que ela vivesse com seu companheiro.
Depois porque ele era mais velho, com idade para ser seu pai, como diz um.
Será que ela era mesmo sua esposa?
Porque ele tinha marcas pelos braços e um machucado na cabeça? Será que ele caiu da escada mesmo?
Sim, tudo aconteceu, mas ninguém acredita, porque essa é a versão da trans e ninguém respeita uma trans, nem médicos, nem policiais, nem assistentes sociais e muito menos a família de seu ex.
Mas como Marina luta todos os dias para sobreviver em um mundo que a olha de lado, ela vai tirando de letra como pode essas situações embaraçosas, muito bem construídas pelo diretor Sebastian Lélio.
Em mãos menos perspicazes, Uma Mulher Fantástica poderia ter sido um dramalhão digno de novela.
Mas com Lélio, o filme transforma situações quase banais em um filme que por pouco não é uma história de terror, onde monstros de todos os tipos e por todos os lados afligem a vida da assustada Marina, que como eu disse antes, tem uma couraça de proteção cultivada por todas as porradas que leva da vida, apesar de nunca saber de onde vem a próxima.
E a próxima sempre vem.
E outra e mais outra.
E por mais que ela se esforce em se desviar, cacos e outros estilhaços sempre acabam a atingindo pelo caminho, deixando cicatrizes como marcas das batalhas que ela trava diariamente.
Um dos melhores do ano fácil, fácil.
E eu só estou postando hoje porque só hoje me dei conta que não havia postado antes. Falha minha.
