Deixei para falar de Me Chame Pelo Seu Nome no último dia do ano para fechar 2017 com chave de ouro.
O que é incrível nesse filme, mais ainda do que nos outros filmes do diretor italiano Luca Guadagnino, é sua aparente simplicidade.
Me Chame Pelo Seu Nome parece que sempre existiu, que tá ali, que apenas é.
Na minha opinião, essa é a maior prova de que alguma coisa é uma Obra de Arte, com maiúsculas.
Nada no filme é demais, é “uau”, é surpreendente, mas tudo é perfeito.
A história é linda, a descoberta do amor por um adolescente de 17 anos na Itália, nos anos 1980’s, com um aluno de pós graduação de seu pai que vai passar o verão com eles.
Tudo é propício para esse amor acontecer: a paisagem italiana, a casa linda, os jardins cheios de árvores de frutas deliciosas, a casa antiga e quase bem cuidade, os pais intelectuais e interessantes e inteligentes, as refeições regadas a vinho, o piano, a música, a cidadezinha medieval, a piscina de pedras, o adolescente pego de surpresa, o estudante americano que mais parece uma estátua de um deus italiano que foi tirado do mar.
Tudo isso filmado com maestria, delicadeza e perfeição por um mestre do cinema de observação, se é que posso assim chamar.
Guadagnino não se mete no filme, deixa a história acontecer, não quer aparecer, não quer incomodar e assim os dois encontram o amor da forma mais pura possível (se eu fosse mais pedante ia dizer “da forma mais orgânica possível”, mas não).
Tudo acontece como deve acontecer, os toques de leve, a admiração distante que vira piada mútua, as críticas, os joguinhos de sedução, a masturbação com a fruta, as olhadas através das portas abertas, os sumiços e finalmente o beijo e o sexo e a aproximação que parece que nunca vai ter fim.
Me Chame Pelo Seu Nome é um filme tão criticado quanto elogiado.
Está em todas as listas de melhores do ano mas também foi chamado de ingênua, sem graça, por não mostrar cenas de sexo como uns gostariam de ver.
Mas a graça do filme, a maestria de Guadagnino está nisso tudo, em tomar decisões sobre o filme que nos deixam pensando dias e dias depois de termos visto.
Isso tudo faz transcender o amor do jovem Elio (vivido pelo desconhecido Timothée Chalamet, forte candidato a uma indicação ao Oscar) com o também jovem Oliver ( o grande papel da carreira do bonitão Armie Hammer).
Faz com que o êxtase do primeiro amor, da primeira paixão e do primeiro coração partido explodam na tela como há muito não víamos em um filme tão lindo como esse e que além de tudo isso, nos entrega o melhor monólogo final de amor e de aceitação do cinema de 2017 feito pelo pai de Elio (a surpresa do ano, Michael Stuhlbarg).
E só pra terminar, qualquer filme que tenha na trilha música inédita do Sufjan Stevens (que provavelmente leva o Oscar de canção) é pra se venerar pra sempre.
Imperdível vezes 1 milhão.
