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4/365 VISAGES, VILLAGES

Senhoras e senhoras, já temos um preferido deste 2018: Visages, Villages, o documentário francês onde e Deusa do cinemaAgnès Varda se juntou ao artista também francês JR e saiu por cidadezinhas francesas (villages) atrás de rostos (visages) que contassem boas histórias.

Varda é uma das principais e mais importantes cineastas não só francesas, mas ainda em atividade.

Uma das cabeças da nouvelle vague, ela é a mulher que colocou Godard para ser ator, como inclusive vemos neste filme, numa boa “desculpa” para um fio condutor em uma piada com o fato de JR também usar óculos escuros como o cineasta.

JR é um artista contemporâneo, bem pop, podemos dizer. Um fotógrafo que se considera mais um trabalhador braçal, porque faz de suas fotos posters gigantescos que ele gruda em paredes, prédios, chãos, trens, navios, celeiros, onde ele conseguir espaço.

Ele diz que passa mais tempo nos andaimes grudando seus lambe-lambes do que fotografando.

JR tem uma van que ele transformou em máquina/cabine fotográfica.

A pessoa entra, se senta e como em uma cabine, depois de minutos a foto sai impressa pela parede da van.

Só que não são impressões para se guardar na carteira, são fotos gigantes que ele e Varda grudam pelos muros das vilas por onde passam, usando seus moradores e suas histórias para contarem novas histórias.

Se eu fosse mais cuzão, poderia dizer que Varda e JR usam sua arte para ressignificar as paredes centenárias do interior francês.

Não só isso, eles saem conversando e contando suas próprias histórias, tentando tirar inspiração de momentos de suas vidas, principalmenteAgnès que nos presenteia com fotos que fez em sua juventude e que se transformam em material para essa jornada mais que artística, espiritual.

Os dois artistas mais improváveis dialogam como poucos com suas idiossincrasias e particularidades e quanto mais tempo juntos passam, mais descobrem semelhanças.

JR não tira seus óculos escuros (sim, à semelhança de Godard, amigo deAgnès) e Varda diz que ele enxerga a vida através de uma lente, sempre com um filtro escuro.

JáAgnès tem uma doença na vista que a faz tomar injeções no globo ocular para que ela possa continuar enxergando, mesmo perdendo a visão aos poucos. JR lhe diz que sua doença são seus óculos escuros e que ela deveria entendê-lo também por isso.

O filme é uma aventura sobre rodas, um road art movie como nenhum outro, onde 2 artistas geniais e muito particulares vão deixando um rastro de beleza e contemporaneidade e Arte com A maiúsculo por onde passam.

Nota: 🎬🎬🎬🎬🎬

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