Esta é a história de Godard filmando “Acossado” (1960), contada no estilo e no espírito com que Godard fez “Acossado”.
Eu estava super curioso para ver esse filme. E achava que demoraria mais para sair já que a Netflix só comprou distribuição nos EUA, quando Nouvelle Vague estreou em Cannes este ano.
Inlcuisve a Netflix comprou esse filme pelo mesmo valor que pagou em Emilia Perez e agora a gente já sabe como eles vão gastar dinheiro para tentar colocá-lo no Oscar.
Nouvelle Vague é um filme americano, dirigido pelo Richard Linklater, projeto dele mesmo, só que se passa na Paris de 1960 , todo falado em francês, e conta a história de como Jean Luc Godard, então crítico de cinema da Cahiers Du Cinema, dirigiu seu primeiro filme, o clássico dos clássicos Acossado.
O filme seria maravilhoso só pela recriação de toda a cena dos críticos que viraram diretores (Truffaut, Chabrol) mas Linklater, mestre em direção de atores e atrizes, montou um elenco tão incrível e obviamente tão bem dirigido que por vezes a gente acredita estar assistindo um making of.
E o melhor de tudo: depois de assistir tanto os filmes do Godard, de toda aquela turma da Nouvelle Vague, de estudar tanto a época e a obra geral, assistir Godard sendo gênio desde sempre, mudando tudo o que podia e principalmente o que não podia no “fazer cinema”, o que ele diz no filme, inclusive e que virou uma das maiores anti-regras do cinema: entenda como fazer, entenda muito como fazer, para depois poder não seguir as regras e fazer exatamente como você quer e não como você “deve”.
Guillaume Marbeck, o ator que faz o papel de Godard, me deixou desconcertado até. Nunca tinha ouvido falar nele e parece que ele é o maior ator do cinema francês da atualidade.
Outro choque pra mim foi ver a inglesa Zoey Deutch, princesinha das comédias românticas, fazer uma Jean Seberg melhor que a original.
Se não foi a Netflix, tomara que alguém lance o filme por aqui logo porque esse “filminho” é daqueles que são muito maiores do que parecem.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

