Anota aí: Roxanne Roxanne vai estar nas listas de melhores filmes de 2018 fácil fácil.
O filme conta a história de Roxanne Shante, a MC que aos 14 anos de idade, era a rainha das disputas no subúrbio de Queensbridge em Nova York.
A garota era a filha mais velha de 4 de uma mãe solteira que batalhava muito por elas e sempre tinha algum homem atrapalhando sua vida, ou o pai das meninas que não ia buscá-las quando prometia ou um namorado pilantra que roubava o dinheiro que ela tinha economizado para comprar uma casa maior.
Roxanne vivia nas ruas à época do nascimento do hip hop com os MCs e as batalhas e o grafitti e com seu dom ganhava um dinheirinho para ajudar em casa.
Só que aos poucos sua fama foi crescendo, gente de longe vinha batalhar com a menina prodígio e ela foi aos poucos indo para os clubes e para os shows, sempre com o olhar duro e protetor da mãe.
Até que ela se cansa e se envolve, obviamente, com um homem mais velho que bate nela, tem a relação mais abusiva possível. Ela tem um filho com ele e precisa se virar para conseguir a guarda da criança depois de cansar de tanto apanhar e ter costelas quebradas pelo canalha. O oscarizado e muso Mahershala Ali dá um showzinho, como o marido abusador da fofa.
Sim, é um puta drama mas não é apelativo.
O filme é produzido pela própria Roxanne, que largou a vida de MC para cuidar de sua família.
Além dela, o filme também é produzido por Pharrel Williams e por meu preferido Forrest Whitaker.
O filme é um projeto do roteirista e diretor Michael Larnell, que teve a sensibilidade e a manha de contar uma história linda de uma artista única com todo o apelo dramático possível, mas sem pesar na mão e sem usar subterfúgios melosos para ter um apelo em cenas tensas como quando ela apanha, ou quando ela é roubada por seu dj e algumas outras.
Esse é um filme que nas mãos erradas cairia facilmente na onda melodramática da mãe alcoólatra que grita, no marido violento que grita e atira a mulher no chão e chuta, nas brigas de rua de periferia.
Mas Larnell nos mostra essa história sem os estereótipos que estamos tão acostumados a ver no cinema e pra mim essa é o grande mérito do filme.
Aliás, como tenho escrito tanto por aqui, chega de estereótipos, tudo tem o lado bom e o ruim, no cinema de 2018 a gente não aguenta mais essa historinha sem graça, né?
NOTA 🎬🎬🎬🎬🎬

