Beauty Mark é tão bom, tão poderoso, que se eu pudesse eu não escreveria nada e faria tudo mundo assistí-lo.
Angie é uma mulher de 24 anos de idade, loira, pobre, bem pobre, mora com seu filho negro pequeno e com sua mãe alcoólatra, que espera ganhar um dinheiro de aposentadoria que não existe e, como diz uma amiga a certa altura do filme, não faz nada na vida, só atrapalha. Um lixo.
Um problema grave na casa faz com que Angie seja despejada, com filho, mãe e tudo mais que ela não tem.
Ela não se conforma de ter que morar em seu carro com um filho pequeno e tenta de tudo para conseguir dinheiro, o pouco necessário.
Só que a única forma que ela tem de conseguir é recorrer à única pessoa que ela não poderia ou não queria recorrer: o ex namorado de sua mãe lixo, que estuprava Angie quando ela tinha 5 anos de idade.
Beauty Mark é o tipo de filme que incomoda tanto, mas tanto, que eu tive que parar de assistir e voltei só no outro dia.
É o que eu chamo de terror da vida real, onde nada está tão ruim que não possa piorar.
No caso, o pior é o abusador, o estuprador, o canalha que vive na vizinhança, que fez parte da sua vida e com quem você encontra na fila do pão.
Beauty Mark foi escrito e dirigido por Harris Doran, um cara que hoje em dia eu admiro mais que tudo ao mesmo tempo que eu odeio muito por ter feito um filme tão cru e forte e poderoso como esse.
O cara é tão bom, mas tão bom que achou a atriz Auden Thornton, uma total desconhecida pra mim e tirou dela tudo o que poderia para criar a melhor Angie possível, uma mulher amargurada, sofrida, com os cabelos sempre sujos, batalhadora e machucada pela vida mas principalmente pelo que sofreu na infância através do vizinho/amante da mãe e também pela negligência materna, que continua até sua idade adulta.
Angie é o modelo perfeito da white trash americana, a loirinha miserável que sofre a vida inteira, vida onde nada dá certo.
Só que Angie tira forças de onde nem ela mesma sabe que pode tirar para resolver seus problemas e por nada, nada mesmo, vai deixar seu filho dormir na rua.
Beauty Mark é uma aula de roteiro, onde sequências que em princípio não fazer muito sentido, acabam funcionando quando intercaladas com cenas, por exemplo, de Angie cantando a plenos pulmões no carro, no único momento que tem sozinha no seu dia, depois de ter que encarar seu algoz.
O filme é uma porrada atrás da outra e, melhor que tudo, termina muito bem, porque geralmente filmes ótimos tem finais mais ou menos, quase decepcionantes, o que não é o caso deste Beauty Mark.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬

