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244/365 HOSTAGES

Como o filme de ontem, Beauty Mark, Hostages é mais um filme com 100% no Rotten Tomatoes, que não é a referência mais “cabeça”, mas é um termômetro ótimo.

Hostages é um filme da Georgia e da Rússia e conta uma história real que se passou no comecinho da década de 1980, na União Soviética, onde um grupo de amigos, jovens, resolve sequestrar um avião para fugirem da repressão comunista.

Um parêntese, é bacana ver como a repressão de um governo prepotente independe da ideologia. Na mesma época o Brasil vivia uma ditadura de direita e por lá a ditadura horrorosa era de esquerda. E os descontentes sempre eram os mesmos, gente que pensava.

Voltando ao filme, a história é bem doida, já que o grupo era formado de universitários, amigos, voltados às artes na faculdade, ninguém ligado a grupos políticos nem nada parecido.

A única coisa que os unia era o desespero de viver em um país onde nada era permitido, como o diretor já nos deixa claro na primeira sequência que mostra os amigos nadando no mar e sendo reprimidos por um militar os obrigando a sair da água porque era proibido que muita gente nadasse junta depois de certa hora. Daí um deles pergunta se o medo era de que eles atravessassem o mar nadando até a Turquia, no que o militar sorri e confirma que eles não podem ficar lá.

Essa é a lógica tosca totalitária, quer dizer, estúpida, onde você não pode nadar a noite porque não. E pronto.

Bom, o plano deles é bem ingênuo, bem simplório, eles conseguem comprar uma pistola, uma imitação de granada de plástico que não funciona, obviamente e mais nada, é o que vão usar para tentar controlar o avião que os levará à liberdade.

Só que eles acreditam que o plano é bom, armam até um casamento no dia anterior para que a viagem no avião aconteça com alguma desculpa.

E ah, eles compram todos os lugares do avião, para não ter ninguém a mais os incomodando.

Só que lá vem o de sempre, quando você faz planos, você esquece que tem sempre o outro lado que não conhece o seu plano e as chances de seu plano dar errado são as maiores possíveis.

E pense bem, num país tomado por um totalitarismo desenfreado, se um plano desses der errado, você vai se fuder lindamente.

O diretor Rezo Gigineishvili, nascido na Georgia, deve ter ouvido esta história sua vida toda, porque com certeza essa deve ser uma das lendas do país.

Se bobear, os soviéticos usaram essa história como exemplo a não ser seguido.

E Rezo, um diretor mais que competente, dá um showzinho no filme.

A luz é linda, a direção de atores é incrível, o elenco parece que foi escolhido a dedo e o mais legal, tem muita, mas muita cena boa onde o cara mostra a que veio.

Inclusive, durante todo o filme, tem muito plano sequência que tenho certeza que o diretor planejou muito e se divertiu muito fazendo, principalmente na dança do casamento e na despedida de um dos amigos no almoço da casa de sua mãe.

Não duvido nada se Rezo já não esteja lendo roteiros de Hollywood para dirigir.

E pra terminar, tenho que falar que, de novo, como em Beauty Mark, Hostages tem um dos finais mais perfeitos do ano, que acaba sendo a cereja do bolo lindo que é o filme.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬

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