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297/365 INFILTRADO NA KLAN

Nunca chorei tanto de ódio no final de um filme quanto chorei neste INFILTRADO NA KLAN – BlacKkKlansman.

Spike Lee, sempre te amei, ultimamente não te entendia direito, mas obrigado por fazer este libelo anti fascista, anti nazista, com uma das histórias reais mais absurdas possíveis e com o final mais “abra os olhos, filhos da puta” possível.

Ron, um policial negro em Colorado (John David Washington que rouba o filme absolutamente), interior americano, no início dos anos 1970’s, cansado de seu trabalho interno, resolve pedir autorização para seu chefe para ser um agente disfarçado.

E sua primeira ideia é se infiltrar na Ku Klux Klan, a mais famosa e pior insituição de extrema direita americana, tão antiga quanto o próprio país, aqueles caras que usam roupa branca, colocam fogo em cruzes e enforcam negros.

Ron antes de mais nada resolve que vai ligar para um diretório da KKK perto de onde vive, só que para isso vai falar como um homem branco.

(e aqui vai um parêntese: semana passada falei de um dos grandes filmes do ano, Sorry To Bother You, também sobre um negro que começa fazer sucesso no trabalho depois que começa a falar como branco; em 2 filmes lançados quase ao mesmo tempo, vemos o quanto isso é um grande problema nos EUA)

E logo no primeiro papo, é “aceito” pelo neo nazi e convidado para conversar ao vivo.

Só que claro, isso é impossível.

O cara é negro.

Mas ele tem a brilhante ideia de mandar um policial companheiro, com escuta.

Só que um detalhe, o cara é judeu (Adam Driver, que vem se mostrando um dos grandes atores americanos dessa nova geração). E os KKK odeiam tanto judeus quanto negros, nível negar o holocausto, nazis mesmo.

E lá vai a força tarefa da polícia com um negro (via um judeu) infiltrado na Klan tentando prender o bando todo.

No meio tempo, Ron começa a também frequentar disfarçado as reuniões da criação do Black Power, o movimento negro que nasceu em reação ao white power neo nazi americano.

E lá Ron se apaixona por uma de suas líderes (Laura Harrier, que merece tudo o que falarem bem dela, que atriz) que, obviamente, não sabe que ele é um pig disfarçado.

A grande coisa do filme ao meu ver foi Spike Lee tratar uma história tão forte como uma comédia de costumes.

Eu passei as mais de 2 horas com um sorrisinho de canto de boca, me divertindo mesmo, em situações que se Lee perdesse um pouco a mão poderiam virar pastelão tipo Trapalhões, de tão toscos que são os nazistas.

Ao mesmo tempo, Lee volta à sua forma brilhante com seus super closes como retratos de seus personagens, com cenas longas onde histórias são contadas para localizar o roteiro do filme, com um elenco absurdo de bom muito bem dirigido e o melhor de tudo, com provavelmente a melhor trilha de sua vasta filmografia.

E lembre-se que, neste caso, estamos falando do cara que fez Faça a Coisa Certa com Fight the Power tocando na abertura mais icônica dos últimos 30 anos.

Se tudo isso não fosse suficiente, Spike Lee ainda faz o melhor final de filme da década, nos dando porradas na boca dos nossos estômagos e me fazendo chorar de soluçar.

Como me disse um amigo, Infiltrado na Klan deveria não entrar em cartaz no cinema, deveria passar todos os dias no lugar da novela das 9 nessa semana de eleição.

Filme do ano.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬

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