Site icon Já Viu?

309/365 O ÓDIO QUE VOCÊ SEMEIA

Imagina que doido se uma autora resolvesse, ao invés de escrever um livro de vampiros adolescentes que brilham no sol e são fofos, resolvesse escrever uma história fodona, forte sobre uma menina de 16 anos de idade negra, que mora num subúrbio de Los Angeles em meio a gangues e presencia a morte de seus 2 melhores amigos de infância e por isso decide se tornar uma ativista dos direitos humanos e sofrer as consequências dessa sua atitude.

O livro foi lançado, se chama O Ódio que você Semeia e deu origem a esse puta filme, com um roteiro perfeito e com uma jovem atriz, Amandla Stenberg, no papel da adolescente, que daqui já foi catapultada para o estrelato.

Starr é a menina que mora no gueto, tem um pai que já foi preso e já foi envolvido com gangues, uma mãe super protetora e que juntos prezam para que sua família, tenham a melhor educação e criação possíveis e os ensinam que sim, todos os clichês possíveis sobre os negros são reais, então eles precisam aprender a viver com isso.

Starr e seus 2 outros irmãos estudam em uma escola longe de onde moram, para fugirem do círculo vicioso do gueto de onde vivem, apesar deles não quererem sair de lá, porque o pai diz que eles devem de uma maneira  ou de outra encarar e assumir  e lutar contra o estigma de lá viverem.

Acontece que um dia saindo de uma festa, Starr e seu amigo são parados por um policial e, obviamente, confunde uma escova de cabelo com uma arma e dá vários tiros no menino que morre nos braços da amiga algemada.

Starr passa a ser a única testemunha possível capaz de incriminar o policial assassino, mas para isso a adolescente precisa se expôr e talvez, sofrer as consequências de seus atos já que a polícia não gosta de dedo duro, o chefão do tráfico local e ex companheiro do pai de Starr não quer a mídia pela área e assim, todo mundo ameaça a família inteira.

O legal da história é mostrar o quanto os clichês são verdadeiros e o quanto quem não “precisa” passar por esse tipo de situação não se dá conta de que a realidade de obviedades estereotipadas e preconceituosas é pior do que se possa imaginar.

O título do filme vem de uma música do 2Pac, T.H.U.G.L.I.F.E., The Hate You Gave Little Infants Fucks Everybody, ou seja, o ódio que você semeia às crianças fode com a parada toda.

Quanto mais ódio, mais desprezo, mais desrespeito a sociedade trata certos grupos, vai receber de cara quando menos esperar.

Voltando um pouco, só pra relembrar, O Ódio que você Semeia é um filme adolescente, um drama mistura a um filme de gangues pesado. Para adolescentes.

Quando falei dos vampiros que brilham meio xoxando, foi um xoxo puramente comparativo besta, porque eu gosto dos filmes do saga da fofa da Krysten e do Pattinson.

Mas um filme como O Ódio que você Semeia é uma coisa que aparece uma vez na vida e outra sei lá quando em Hollywood.

Contar uma filhadaputice dessas, do dia a dia, sob o ponto de vista de uma adolescente é do grande caralho cinematográfico.

Fora tudo isso, o filme tem uma cena de meio discurso do pai, bem na metade, dizendo o porquê deles e a mãe terem criado os filhos como criaram que foi de cortar o coração.

O filme é quase um melodrama mas é também um filme de construçnao de caráter, um coming of age lindo, uma história de amor, de família e uma porrada na cara de trama social de ódio recebido, ou algo assim.

Já falei da Amandla que rouba as 2 horas de filme, mas o resto do elenco é todo bom demais, com destaque a Regina Hall como a mãe e Russell Hornsby como o pai, que tem as melhores falas depois da filha Starr.

Se você tiver força e não se acabar de morrer de chorar, assista O Ódio que você Semeia logo depois de ver o filme do Spike Lee, Infiltrado na Klan e tente sair vivo dessa maratona.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬

Exit mobile version