All the rumours are true: Bohemian Rhapsody é um dos filmes mais porcaria do ano mas é um dos filmes que mais me fez chorar dos últimos tempos.
(mas aconteceu uma coisa estranha, só saíam lágrimas do meu olho direito, juro! não entendi até agora o que aconteceu)
O tão falado filme sobre o Queen é na verdade um filme sobre músicas do Queen e sobre Freddie Mercury na trajetória de herói mais manipulada da história do cinema, indo do zero ao herói e depois ao fundo do poço e sua ressurreição num dos roteiros mais caras de pau da história dos filmes sobre bandas de rock reais.
Bohemian Rhapsody confirma pra mim de vez o que eu acho de ficcionalizações sobre as vidas de astros reais da música: apenas parem de fazer esse tipo de filme.
As vidas desses caras são umas bostas. Além das músicas maravilhosas do Queen, nada que seja tão maravilhoso quanto as criações aconteciam em suas vidas privadas.
Ninguém aguenta mais cenas de bacanais, orgias regadas a cocaína e anões engolidores de fogo e draminhas com a esposa que não aguenta mais o cara sumir nas turnês, com os pais que não os aceitam pelo motivos mais idiotas e por aí vão.
Em Bohemian Rhapsody nada é diferente e essa é a parte porcaria do filme, um dia a dia civil dos caras da banda, quer dizer, do Freddie Mercury com seu pai durão, sua mãe fofa, sua esposa que larga dele por ele ser gay, a mansão que ele compra quando fica rico, as orgias regadas a drogas e anões, seus atrasos nos ensaios, sua empáfia.
Ah, por favor, não quero saber disso tudo mesmo.
Ou melhor, até quero, mas numa biografia bem escrita de 400 páginas com detalhes escabrosos, o que não existe nesse filme super sanitizado. O tal beijo gay dele que teria sido vaiado e obviamente não foi, é o beijo mais bosta do ano.
Não tem cena no filme de Freddie na putaria com os leather men que ele tanto curtia, só insinuação.
Agora, se nada disso fosse suficiente, o roteirista pateta do filme, o senhor Anthony McCarten, comete pecados indesculpáveis.
Ele primeiro manipula a linha do tempo dos acontecimentos reais da forma mais escrota possível: o show do Queen no Rock In Rio aconteceu em janeiro de 1985 e sua apresentação no Live Aid em julho do mesmo ano.
No filme, as coisas acontecem com anos de diferença, em uma cena pivotal do roteiro, quando Freddie diz que tocar em um país onde provavelmente ninguém entendia o que ele falava e todo mundo cantar junto, com o maior público da história aclamando em definitivo a banda, era a prova que ele precisava de que ele estava indo no caminho certo.
Anos e anos depois, no filme, acontece o Live Aid, com seu show histórico.
Patetice.
Outra coisa, que é o que mais me incomodou filhadaputamente, foi como o fato de Freddie descobrir que é HIV positivo parece ser um castigo dos céus por causa da vida aparentemente devassa, longe de sua real família, que ele estava levando sozinho na Alemanha.
Pior ainda, eles mostram que Freddie resolveu sair em carreira solo por causa de um contrato milionário oferecido por uma gravadora antes que qualquer outro membro da banda e esse foi o fim do Queen.
Demonizaram lindo o coitado e não foi assim que aconteceu mesmo.
Os puxa sacos vão dizer que isso é detalhe, é liberdade poética, mas na minha opinião isso é filhadaputice mesmo.
Tentaram pintar um Freddie Mercury vilanesco, largando tudo pra trás, apesar de ser fofo, meio passivo agressivo demais pra mim.
Apesar de tudo isso, as sequências musicais do filme são todas, em absoluto, maravilhosas.
Ver a banda em estúdio, criando as músicas, se apresentando, foi bem lindo.
E o filme termina com uma chave de ouro absurda, o show deles no Live Aid, emocionante e super bem reproduzido em detalhes impressionantes.
Aliás, o fim do filme, logo depois do Live Aid, foi o banho de água fria que eu nem mais esperava levar, mas levei na cara.
Os créditos finais entram em meia tela e na outra metade, uma apresentação ao vivo do Queen, com Freddie Mercury em sua majestade e glória.
E ver o Freddie de verdade depois de ver por quase 2 horas e meia ele ser interpretado por um ator baixinho e mirradinho, não dá.
Rami Malek é um ótimo ator, todo mundo sabe do que ele fazia em Mr. Robot. Mas neste filme, com aquela dentadura gigantesca e, apesar de ser só um pouco mais baixo que o próprio Freddie Mercury, parecia um anão em comparação com o cantor que levantava multidões e que crescia no palco.
Eu passei o filme inteiro tentando entender porque não fizeram o cara encorpar mais para se assemelhar pelo menos fisicamente e ia tentando relevar isso o tempo todo, até que entra a cena dos créditos e a gente vê um cara que era uns 20cm mais baixo que o Brian May parecer maior que o guitarrista gigantão.
No final das contas Bohemian Rhapsody é um filme que poderia ter sido maravilhoso se tivesse um roteirista menos cuzão, produtores menos manipuladores (e aqui encaixo de cara os próprios caras do Queen, os reais donos do filme, o Brian May e o Roger Taylor) e principalmente um diretor mais competente, porque ninguém aguenta mais esse escroto pedófilo do Bryan Singer acabando com histórias tão boas como essa do Queen.
NOTA: 🎬🎬1/2
Uma dica: assista abaixo o show do Queen no Live Aid que vale mais a pena que o filme todo.

