Fiquei chocado esses últimos dias quando li as pessoas reclamando que The Dirt, o filme biográfico do Motley Crue, lançado na Netflix, era uma porcaria.
Gente, comecemos do início: o filme é sim ruim como toda biografia de banda de rock. Mas este caso tem um atenuante: o Motley Crue é uma banda de révi métal porcaria, como quase todo révi métal.
Como disse quando escrevi sobre o filme do Queen, eu (e pelo visto ninguém mais) aguenta ver filme sobre banda que vem do nada, por um acaso do destino acaba nas graças de uma gravadora que a vende como a salvação (do rock, do révi ou sei lá do quê), vira gigante, seus integrantes enchem o rabo de dinheiro e enchem o nariz de cocaína, brigam, viram decrépitos chatos depois do rehab, brigam de novo, terminam, voltam com o rabo entre as pernas.
Preguiça, né?
Este filme, acreditem se quiser, é pior ainda que Bohemian Rhapsody, feito com menos dinheiro, com um elenco horroroso e um roteiro pior ainda.
Daí eu fui ver uns vídeos dos caras do próprio Motley Crue falando do filme e comecei por um do Nikki Sixx dizendo que a tão polêmica biografia da banda que dá nome ao filme foi lançada em 2001 e logo seus direitos comprados pela Paramount. O motivo de só ter sido transformada hoje em filme é que a banda fazia questão de que The Dirt não tivesse uma versão sanitizada dos fatos, eles queriam que os excessos de sexo e drogas fossem mostrados no filme.
E mostraram mesmo.
E a gente vê que o sexo e as drogas sempre foram mais importantes que o rocknroll.
Não, não me entenda mal, os caras fizeram música sim, tocaram muito, gravaram muito, mas no caso dessas bandas de cabeludos que usavam roupas ruins, a própria roupa, os cabelos repicados, os quilos de drogas e a quantidade de mulheres que eles pegavam nas turnês eram mais relevantes que as 12 músicas que eles lançavam a cada disco.
Pra piorar ainda mais o filme, os 4 caras do Motley Crue são transformados em caricaturas de “astros” do metal: Nikki Sixx é o atormentado junkie que deveria ser do Sisters of Mercy; Tommy Lee era o bobo alegre, que se não tivesse cheirado tanto e entrado pra banda certa na hora certa, teria virado o tio do pavê em churrasco de família de domingo; Vince Neil era o loiro platinado pseudo sex symbol que só pensava naquilo; Mick Mars era o véio mal humorado que só reclamava da doença que tinha. Ficou faltando mostrar o quanto eles foram babacas e escrotos, mais ainda do que mostram no filme, principalmente com suas esposas e famílias. Quem sabe um spin off do filme produzidas por suas ex mulheres?
Mas o Motley Crue foi gigante quando aconteceu. O problema é que o filme os transformou sem querer nessa caricatura que nos provoca risos.
Ou será que a gente dá risada porque finalmente parou pra prestar atenção de verdade na banda?
NOTA: 🎬🎬

