Lá vem a Netflix acertando com mais um filmão bem bacana.
O Legítimo Rei do título é Robert the Bruce, um legítimo herdeiro do trono escocês lá no século 14 que, por se opor ao rei da Inglaterra e ser da turma do Wallace do Coração Valente do filme do Mel Gibson, acaba virando um fora da lei fodão, perseguido pela nobreza inglesa para ser morto e usado como lição.
Só que as coisas não vão como o reizão queria e Robert, num esquema de guerrilha, bem aos poucos vai ganhando terreno, para surpresa de seus poderosos oponentes.
O filme pode ser considerado uma sequência em eventos históricos ao do Gibson, já que se inicia este citando a prisão de William Walace.
E outra coisa interessante historicamente e cinematograficamente falando é que o rei da Inglaterra que quer Robert morto é Edward I mas quem luta com ele é seu filho, Edward II, o rei gay retratado no filmaço de mesmo nome do Derek Jarman.
Voltando ao filme, diferentemente do Mel Gibson, o diretor David Makenzie (que merece todos os louros e é um dos meus preferidos desde Hell Or Highwater) decide contar mais a história do dia a dia de Robert e focar menos nas batalhas, apesar de que a última delas é linda de se ver, principalmente por mostrar o esquema dos bons criado pela turma de Robert mostrando que nada como conhecer o seu campo de guerra, uma aulinha.
Uma coisa que eu achei estranha foi terem escolhido o Chris Pine para fazer o herói escocês, como se não houvessem atores escoceses bons o suficiente, ou como se ele fosse o melhor de todos, indispensável.
Claro que um nome como o dele deve sim conseguir principalmente investidores, além da bilheteria, ou no caso deste filme que foi direto para a Netflix, audiência.
Não que ele decepcione, mas seria lindo um ator escocês com o melhor sotaque original de todos.
Mas o filme tem seu trunfo: a musa Florence Pugh, como a nobre inglesa que se casa com o fora da lei e fica ao seu lado até o final.
Que atriz, minha gente. Tudo que ela faz é incrível. Eu estou vendo uma mini série com ela, A Garota do Tambor, baseada no livro Jon Le Carré, de onde já saiu um filme anos atrás e eu tô vendo só por causa dela.
Mas o que mais me deixou embasbacado foi a produção do filme e as locações reais que usaram. Como a Escócia é foda mesmo, meu país preferido com o povo mais simpático de todos.
Legítimo Rei não só é lindo de se ver mas é uma ótima diversão, de deixar arrepiado em vários momentos e de nos fazer acreditar que torcer pelo não óbvio ou pelo usurpado ou pelo sofredor, pelo detonado ainda é a melhor pedida.
Ah, só um detalhe: tem uma cena do filme onde 2 crianças se aproximam do Rei foragido e perguntam se ele é de verdade o rei, ao que ele responde que sim e que vai protegê-los e tal, bem simpático. Quando os 2 meninos saem, o maiorzinho vira pro menor e dia “viu Arthur, falei que ele era o rei, Arthur, viu Arthur”. Achei um belo de um easter egg se esse menininho for o futuro rei Arthur, perdido pela Escócia. Será que é viagem minha?
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

