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316/365 CAM

Cam é o terror lançado esses últimos dias na Netflix que todos estávamos esperando, depois de todo o hype pré lançamento.

Cam é um belo de um filme, com uma premissa bem de dar medo mesmo: uma cam girl, Lola, que faz shows em um site e tenta de qualquer maneira atingir melhores pontuações, um dia vê que seu perfil foi roubado por uma outra cam girl que é exatamente ela.

E nem ela mesmo acredita o que está acontecendo, achando que o próprio site está colocando reprises de seus shows, de tão realista e precisa que é essa nova mulher.

Acontece que ao procurar seus antigos shows ela descobre que os que estão indo ao ar estão acontecendo de verdade, em tempo real e sim, por uma mulher que é idêntica a ela.

O filme é muito bem construído, vemos Lola lidando com seus clientes fixos no dia a dia, vemos o quanto ela se preocupa com seus shows e o quanto ela faz valer sua filosofia de trabalho onde ela não finge orgasmos e outros 2 detalhezinhos que fazem a diferença, em sua opinião.

O filme mostra bem a dura competição entre as cam girls, o quanto elas sofrem não só com os pedidos bizarros de seus clientes, que depois de darem o dinheiro que ela pede, ela deve realizá-los. Imagine um monte de homem babão com tokens de sobra pra pedir absurdos para essas meninas.

Lola sofre também com a competição entre as próprias cam girls, onde uma das mais bem ranqueadas, por exemplo, usa de sua influência para pedor que seus clientes sabotem o show de Lola exatamente no dia que ela começa a subir na cotação geral.

A partir do momento que o filme vira desesperador com o roubo do canal, Lola entre em parafuso tentando entender não só o que aconteceu tecnicamente mas também como ela vai viver tendo sua personalidade roubada literalmente.

Logo de cara ela já sofre no aniversário de seu irmão mais novo, quando seus amigos adolescentes descobrem um vídeo da nova Lola “fazendo pornô” na internet, coisa que ela nunca fez, ao menos em seu ponto de vista.

Cam não é o terror de susto e pulo na cama de medo, mas sim o terror do desespero, da possibilidade quase palpável para nós meros mortais de por exemplo, alguém roubar nossa conta do instagram a continuar postando como nós mesmo coisas que nós postaríamos, inclusive nossas selfies estúpidas com a nossa cara.

Sim, isso é o terror de 2018, o terror tecnológico, o terror do Unsafe do Soderbergh.

Mas como no filme do Soderbergh, Cam deixa a desejar com a conclusão do filme. O filme vai muito, mas muito bem com sua aura minimalista indie e eu fiquei esperando um deus ex-machina detonando a porra toda e bahm, me decepcionei bastante.

Pra terminar, todos os louros devem ser dados à fantástica Madeline Brewer, num papel absolutamente diferente do que ela vem fazendo lidamente em The Handmaid’s Tale.

Ah, só mais um detalhe: o roteiro de Cam foi escrito por Isa Mazzei, uma ex-cam girl que disse que todos os clientes de Lola foram baseados em clientes reais que ela Isa teve. Conclusão: coitadas dessas meninas.

NOTA: 🎬🎬🎬1/2

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