Fui assistir Guerra Fria na Mostra de SP e no meio de tantos filmes, sai correndo de um e entra pra ver outro, me confundi achando que o filme era o novo do meu preferido Laszlo Nemes, diretor de O Filho de Saul.
Por esse detalhe, esperava outro filme, completamente diferente e odiei Guerra Fria.
Ao chegar em casa, fui ler sobre o filme e descobri que me confundi, na verdade Guerra Fria é dirigido por Pawel Pawlikowski, diretor do ótimo Ida.
Tudo mudou.
Guerra Fria é um filme esteticamente lindo, com uma fotografia preto e branco primorosa contando uma história de amor que começa nos anos 1950 na Polônia entre uma cantora do interior e um autor de um espetáculo musical.
O problema é que os 2, claro, são de mundos diferentes e como em um bom romance, nada é assim tão fácil.
Mas o amor dos 2 rende. E dura.
Ou pelo menos o que os 2 acreditam ser amor.
Tudo acontece durante a Guerra Fria, em uma época que a Polônia vivia sob o julgo comunista, no pós guerra, em um país devastado.
E um amor nascer das cinzas não é fácil.
O grande problema de Guerra Fria, na minha opinião, é que a beleza, a estética, acabam sendo mais relevantes que a história em si. Não que isso seja de todo ruim, mas por vezes eu me deixava levar pelos planos bem filmados, pelo P&B, pela vibe mais antiga (o filme foi feito em 4X3, diferente do 16X9 de hoje em dia, onde o resultado final é mais quadrado que os filmes retangulares atuais).
Pawel coloca sua atriz preferida mais uma vez estrelando um filme e fez bem: Joanna Kulig rouba o filme com sua força e sua atitude em uma das grandes personagens femininas do ano.
Mas seu par, o também polonês Tomazs Kot, o músico apaixonado pela cantora que larga tudo por ela, também tem um papel dos sonhos.
Tanto fez bem que levou o prêmio de melhor atriz em Cannes este ano.
O cara começa bem devagarzinho, vai crescendo de uma forma absurda e sutilmente faz o que deveria fazer. Só que ele acerta na mosca, não cai no over acting, tão comum em ator que quer aparecer mais do que devia.
A história de amor de Guerra Fria começa no interior da Polônia, vai para a capital sob escombros de guerra, de lá para Paris também se reerguendo e dá uma guinada linda de ares e expectativa alcançada.
No final das contas eu gosto de Guerra Fria, não acho o filmão que todo mundo acha, a obra prima que querem nos empurrar goela a baixo.
Mas é com certeza um belo de um filme, lindo mesmo e muito acima da média.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

