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339/365 TODOS JÁ SABEM

Todos Já Sabem é um dos filmes dos meus sonhos de 2018, como já disse aqui antes.

O filme, que foi escrito e dirigido pelo mestre dos mestres, o iraniano MUSO Asghar Farhadi, foi produzido e rodado na Espanha com o elenco de língua espanhola dos sonhos, um triângulo formado pela Penélope Cruz, seu marido Javier Barden e pelo argentino e também muso Ricardo Darín.

No filme, Penélope é Laura, uma espanhola que se casou e mora com a família na Argentina volta com seus 2 filhos à sua cidade natal na Espanha para o casamento de sua irmã mais nova.

Além de toda sua família e amigos, ela reencontra Paco (Javier), seu ex namorado da vida inteira que ela largou para ir embora.

Na noite do casamento, no meio da festa, Laura descobre que sua filha foi sequestrada e o drama começa.

Antes de mais nada, foi bem estranho ver um filme do Farhadi que começa tão solar, tão festivo e barulhento. Não esperava isso dele e achei que seria estranho se o filme seguisse nessa pegada.

Mas para minha e nossa felicidade, logo depois da descoberta do sequestro o filme entra no modo Farhadi desgraçado de ser, sem trilha, sem maquiagem e sem concessão que eu tanto amo.

E lá vem um belo de um drama familiar, onde nem tudo é o que parece ser, onde nem todos são quem se deixam transparecer, onde todo mundo desconfia de todo mundo sem exceções e o melhor de tudo, onde aos poucos segredos são retirados a forceps dos cantos mais remotos das lembranças de todo mundo.

Penélope me surpreende mais uma vez como a mãe desesperada por ter sua filha de volta. É o tipo de atuação que, apesar do calor do drama espanhol, do barulho e das saias rodadas, um diretor iraniano cuja marca registrada também é o drama, só que um drama persa, contido, coberto por lenços e sem tanto sol escancarando, consegue chegar a uma composição de personagem quase nunca vista em um filme recente.

É como se a universalização ou a globalização e a troca de informações dos nosso dias finalmente servisse para alguma coisa.

Outro ponto alto do filme é o Paco de Barden: o cara rústico, dono do vinhedo da região, que faz de tudo, sem segundas intenções para salvar a vida da filha da mulher que sempre amou.

Mas o Darín, ah o Darín. 

O cara é APENAS o melhor ator de todos os tempos para dar o título do filme em meio ao texto de seu personagem em todos os filmes da história do cinema.

A hora que ele diz “todos já sabem” é de gelar a alma.

Todos já sabem mas no fundo ninguém sabe de nada.

O filme é uma dessas maravilhas que um grande amigo meu disse essa semana sobre outro, um filme com gente com cara normal, de barba mal feita e cabelo desgrenhado, não milimetricamente desgrenhado.

As caras de derrotados de Barden e Darin são impagáveis.

E os olhos sujos de Penélope, de rímel escorrido de tanto chorar, ah que maravilha.

O filme não é uma nova obra prima absurda de Farhadi, mas é um dos ótimos filmes do ano, com talvez a melhor direção de atores de 2018.

E só digo que o filme não é o melhor de todos por um roteiro que poderia ser maravilhoso e não foi.

O filme de resgate do mestre do drama iraniano acabou tendo uma solução que não me decepcionou, mas me deixou pensando que não foi a melhor de todas, no contexto de família e situações postas pelo filme.

Juro que se eu tivesse uma produtora razoável por aqui, contrataria o Farhadi para rodar seu próximo filme em português onde ele quisesse nesse país de meudeus.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

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