Vi esse filme em outubro e demorei olha quanto tempo pra resenhar por um trauma que eu sofri na exibição.
Fui à Mostra assistí-lo achando que era o filme novo da Penélope dirigida pelo iraniano Asghar Farhadi .
Chegando lá descobri que confundi o iraniano e assisti de bode esse filme lindão do Jafar Panahi.
O Jafar é um dos artistas iranianos que estão em prisão nacional, ou sei lá como eles chamam por lá, que quer dizer que ele está proibido de sair do seu país, por causa de um governo ditatorial péssimo (oi biroliros).
Ele faz filmes lindos, como esse, que passam em Cannes, saem elogiadíssimos, com prêmio de roteiro e fica sabendo talvez via facetime.
O filme é um docu-drama sobre o próprio Jafar, com Behnaz Jafari, uma amiga atriz, indo até uma aldeia (como as cidadezinhas pequenas são chamadas por lá) atrás de uma menina que manda mensagem para a Behnaz (que também faz ela mesma no filme) onde diz que seus pais a desonraram por ela querer estudar cinema em Terã.
A menina diz que ela está fugida de casa, tem medo de voltar e de ser morta por seu irmão.
E lá vão os 2 salvadores da pátria, que durante uma dia e uma noite conseguem dar um sopro de vida e de esperança para a iraniana que quer estudar cinema e por isso quebra todas as regras, inclusive morando com uma outra pária de sua vila.
O filme é uma metáfora muito na cara sobre o próprio Jafar e também sobre a situação do próprio cinema iraniano.
É bonito, é cru, como disse, é bem na nossa cara, bem filmado demais.
Saí do cinema de bode por ter visto o filme errado e no final das contas, a Penélope e o Javier não acertaram no filme e hoje, meses depois, o Jafar ficou na memória mais do que o casal.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

