Christophe Honoré, o diretor de Conquistar, Amar e Viver Intensamente, é um ótimo diretor mas de vez em quando parece querer aparecer um pouco demais do que deveria em seus filmes.
Conquistar… começa muito bem, os créditos iniciais malucões, Massive Attack de fundo e imagens que seriam de Paris em 1993 mostram a que veio o filme: contar uma história de amor pré internet com a Aids detonando tudo e todos e as pessoas tentando viver se não intensamente, da melhor forma possível.
Jacques é um escritor/roteirista que em uma de suas viagens para falar de seu trabalho pelo interior da França, conhece Arthur, sim, como Rimbaud, como um menino de 10 anos fala uma hora no filme.
Eles se envolvem na hora, se beijam, conversam, trocam número de telefone (fixo, sim, em 1993) e partem para lados (ou cidades) opostos com a promessa de voltarem a se falar em breve.
Só que o breve demora mais do que o esperado.
Arthur é um estudante, divide apartamento com amigo, namorava garotas até pouco tempo e aos poucos está se assumindo gay.
Jacques, o escritor, mora sozinho (ou quase, na verdade mora com seu filho de 10 anos, o que cita Rimbaud), vive uma vida sexual bem ativa (pra ser bem educado), escreve muito e é portador do HIV.
Lá em 1993, o portador de HIV não era assim conhecido, lá ele era o aidético, o doente, o de quem todos deveriam se afastar, mas não neste filme.
Jacques está doente, tem que se tratar e o faz, menos do que deveria mas o faz.
E ele como pode, quando pode, se aproxima de Arthur ao mesmo tempo que diz para o rapaz que não quer se aproximar demais porque sabe que logo vai morrer.
Essa era a realidade do HIV nos anos 1990, as pessoas morriam de AIDS. E tinham medo de transmitirem a AIDS. E não queriam se envolver com quem não tinha “a doença”.
Mas Arthur gosta de Jacques, gosto de ouví-lo falar e contra histórias. Sabe aquela relação do mais novo com alguém mais velho e mais “experiente”?
O filme nos mostra o quanto isso pode ser complicado em situações extremas, como a vivida por Jacques.
E ainda, Honoré conta de forma única o quanto o intensamente depende de várias circunstâncias inesperadas e incontroláveis.
Além da direção certeiro, o grande destaque do filme vai para o casal principal, Jacques e Arthur, vividos pelos ótimos Pierre Deladonchamps e pelo meu novo preferido francês, Vincent Lacoste, que esteve brilhando em Amanda.
Conquistar, Amar e Viver Intensamente é o tipo de filme que eu adoro assistir, o típico filme francês, com muito texto, muito diálogo, muita referência a livro e filme e música, muita gente fumando, muita gente tentando fazer dar certo algum tipo de relação de amor e o melhor, muita gente falhando miseravelmente com a melhor cena de abandono do ano.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

