Vamos ao que viemos: Border é o melhor filme de 2019 até agora.
Poderia dizer que é um filme estranho com gente esquisita. Mas Border é um filme até que “normal” só que com gente bem esquisita.
Border venceu o prêmio da mostra Un Certain Regard em Cannes 2018, merecidíssimo.
O filme está concorrendo ao Oscar de melhor maquiagem e deveria vencer, porque a caracterização das 2 personagens principais é revolucionária.
O filme foi escrito pelo John Ajvide Lindqvist, o mesmo cara que escreveu Deixa Ela Entrar, o que já é a melhor das referências.
Border conta a história de Tina, uma oficial da alfândega sueca bem peculiar: ela consegue sentir as emoções das pessoas pelo cheiro. Ela fica no aeroporto onde as pessoas chegam e passam pela luz verde e vermelha farejando de longe e sempre acerta.
Por causa desse dom, ela acaba sendo chamada para ajudar em outros casos mais “delicados”, digamos assim.
No trailer vemos que Tina tem um padrão de beleza tão peculiar quanto o seu dom, que pode assustar algumas pessoas mas que atrai outras.
Uma dessas pessoas é Vore, que passa por Tina chegando de uma viagem com vários vermes e insetos em sua bagagem, porque ele os cria.
A semelhança dos 2 é bizarra e Tina fica intrigada ao saber que existe outra pessoa com quem ela se identificou logo de cara.
E aos poucos ela e Vore vão se aproximando.
Border é aquele tipo de filme que quanto menos informação souber, mais linda vai ser a surpresa do filme.
Border é um conto fantástico de terror, com muitas cenas lindas e memoráveis, mas também com algumas também memoráveis mas não pela lindeza.
O roteiro de Border é de uma perfeição que dá até frio na barriga a medida que o filme vai passando, uma surpresa atrás da outra.
E o legal é que é o tipo de terror que eu mais amo, o terror da vida real, onde o monstro pode estar sob o nosso teto sem que a gente saiba.
Border poderia ser uma daquelas histórias de ninar que a gente vai contar para as crianças daqui uns 50 anos, quando tudo estiver mais estranho ainda e o choque não for tão grande. Quero dizer, se contássemos a real história do chapeuzinho vermelho para a molecada, onde o lobo se dá bem, Border não seria tão estranho.
E o estranho e bizarro do roteiro do filme são totalmente ajudados pelo brilhantismo da maquiagem de Tina e Vore, mais os pequenos efeitos especiais na melhor cena de sexo do ano até agora.
Queria falar mais do filme, de Tina, de folclore, de como as lendas podem ser contadas em filmes nada óbvios mas acho que já falei demais.
O filme não tem estreia aqui no Brasil, mas está pelas internets downlodísticas da vida.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬

