Eu estava doido pra assistir Rafiki, o filme LGBTQ queniano que ganhou o prêmio da mostra Un Certain Regard ano passado em Cannes.
Aliás, o filme ganhou Cannes e está proibido no seu país, o lesbofóbico Quênia.
O filme não decepciona, é o máximo.
Rafiki é um Romeu e Julieta no Quênia nos dias de hoje.
Quer dizer, Rafiki é um Julieta e Julieta, sendo que Kena e Ziki, filhas de rivais políticos, se apaixonam.
E não só isso, no Quênia não tem essa de gay, lésbica.
Eles dizem o filme inteiro que a boa menina queniana se torna a boa esposa queniana.
Mas Kena e Ziki vão aos poucos descobrindo o quanto se amam ao mesmo tempo sabendo que precisam se esconder.
Elas precisam escolher entre sua felicidade e sua segurança.
Como na tragédia shakespeareana, podemos esperar tudo de Rafiki.
Só que nos dias de hoje, o perigo mora ao lado, literalmente.
Rafiki é um filme pequeno, constrito, o oposto do que temos visto por aí, até mesmo no cinema brasileiro.
Mas até por isso o filme é eficaz e bem feito, conta a história sem firula, sem enrolações e funciona muito bem, principalmente por causa da química das 2 atrizes principais Samantha Mugatsia e Sheila Munyiva.
Uma jóia rara.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

