Iceman é o filme que os franceses tentaram e tentaram fazer no início dos anos 2000 e não conseguiram, o filme que se passa na idade do bronze, quase 6000 anos atrás, onde o povo fala uma língua estranha.
Pra nossa sorte tem gente que ainda tenta fazer esse tipo de filme e acerta.
Iceman parte de uma premissa muito foda: no verão de 1991, nos Alpes austríacos, foi encontrado o corpo de um homem congelado e muito bem preservado.
Acharam que fosse o cadáver de um alpinista, mas logo descobriram que o homem estava morto há 5300 anos.
Um tal de Feliz Randau, roteirista e diretor alemão, teve a brilhante ideia de contar a história deste homem, Kelab.
Ele foi o chefe de uma tribo neolítica que vivia na região. Ele era também o xamã, e guardava o seu maior tesouro, Tineka.
Um dia que Kelab saiu para caçar, homens de um clã inimigo invadem a tribo, estupram as mulheres, matam as crianças, os velhos, queimam tudo e roubam Tineka.
Quando Kelab volta para casa, encontra a destruição toda, se desespera ao ver sua mulher morta, seu filho morto e encontra o único sobrevivente do massacre: um bebê recém nascido.
Kelab sai então à caça dos assassinos e ladrões, para vingar seu povo e para tomar de volta Kelab.
Iceman mostra a desventura de Kelab atrás dos assassinos, que não sabem que estão sendo seguidos, o que dá uma vantagem enorme ao homem enfurecido.
Se isso não bastasse, ele ainda tem que cuidar do bebê e para isso precisa carregar junto uma cabra, a fornecedora de leite para a criança.
Eu adoro esses filmes sem eira nem beira, de heróis solitários, de vinganças, de arquétipos e estereótipos, mas gosto mais ainda quando essa história se passa no meio das montanhas congeladas do período neolítico, onde eu não entendo uma palavra dita no filme inteiro mas que não preciso entender porque tudo já foi visto muitas vezes, de Charles Bronson a Keanu John Wick Reeves.
O filme poderia ser um faroeste, poderia ser mais violento, poderia ser mais gore, poderia ser mais místico, mas me parece que a opção mais “realista” do diretor funciona muito bem.
Quer dizer, a opção do que seria o realismo. E é bom.
Nada é demais no filme, nem no sentido literal nem no figurado.
E essa é a graça de Iceman.
NOTA: 🎬🎬🎬1/2

