Alguns, não muitos anos atrás, eu via filmes argentinos como O Anjo e ficava pensando “caraco, quando a gente vai fazer filmes assim?”.
E pensava isso muito mais como um desejo inspiracional, não como algum tipo de inveja.
O Anjo é o típico filme fodão argentino que me faz perder alguns respiros por felicidade. É o tipo de cinema que sai da América Latina que arrebata o mundo, principalmente sabendo que o filme é produzido pelo Almodóvar.
O Anjo conta a história de um moleque bem rebeldezinho que aos poucos vai se envolvendo com crime, roubos, assaltos e daí pra baixo e acaba sendo o preso com o maior tempo de condenação da história da Argentina.
Carlito é um moleque bem lindinho, com cabelos de anjo e cara de Marylin Monroe, como diz um cara pra ele.
A gente vê ele começando seus atos delinquentes aos poucos e de repente ele se envolve com um cara mais velho de sua escola, por ficar a fim do cara, mas percebe que ele é filho de bandido.
Com a família fofa, Carlitos aprende a atirar, aprende a se disfarçar, tem aula atrás de aula de o quê fazer bem feito no mundo do crime.
E claro que ele usa e abusa de seus atributos físicos sempre que possível e vê necessário.
O que ninguém esperava é que esse Carlito lindinho e fofinho fosse um cara frio e calculista, sem o menor problema de matar um segurança de uma loja como se não tivesse problema algum nisso.
O Anjo surpreende com o roteiro que não julga, não toma partido de forma nenhuma.
Não glamuriza a bandidagem e também não detona o errado.
A dupla principal, o anjo e seu fiel companheiro Rámon, não poderia ter sido vivida por melhor dupla de atores, Lorenzo Ferro como Carlito e Chino Darín, filho do grande Ricardo Darín.
O diretor Luis Ortega consegue transformar em um filme de 2 horas uma história que daria com certeza temporadas longas de uma série boa, o que na verdade é uma boa ideia, vou mandar email pro Almodóvar (rs).
E o feito de Ortega, além da lindeza e precisão do roteiro, é ter pensado o filme quase como um musical pop, com uma direção contemporânea e com a trilha mais absurda do ano, cheia de rock argentino dos anos 1970, com coisas muito parecidas com o que eram produzidas aqui no Brasil, inclusive.
E com essa trilha perfeita, um filme bem dirigido e fotografado, ele ainda teve a ousadia de montar o filme como um video clipe dos anos 1990, quase insano por vezes mas segurando a onda em função da história.
E olha que demais, nem disse que o filme é gay.
Bravo!
NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

