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124/2019 HAGAZUSSA

A primeira cena lindaça de Hagazussa é quando o padre da cidadezinha recebe em sua igreja a “bruxa”, mãe solteira, que vive no meio do mato, fora do convívio do povo preconceituoso. Ela sobrevive da natureza, do leite de suas cabras, das plantas que faz chá e não incomoda ninguém, muito pelo contrário, sofre com o povo obtuso.

O padre está em frente ao altar de uma igreja coberta em suas paredes e teto por crânios e ossos dos mortos. Ele, de costas para a “bruxa”, fala do quanto ela é perigosa, que lida com o oculto, com o que não se deve invocar e o quanto isso faz mal para a cidade. Não a igreja cheia de restos dos mortos, mas sim a mulher que ouve calada, olhando para toda aquela representação óbvia da morte ouvindo o absurdo, ainda mais ela que só lida com a vida, com a natureza. Desde sempre.

Hagazussa é um filme alemão, um terror gótico, nórdico até o último fotograma, que se passa no meio do século 15. Mas parece que a batalha entre essas forças, é o que estamos vendo hoje em dia ainda, em pleno 2019.

Hagazussa é um filme lindão, clima pesadaço, sempre sendo levado pro darkoso. Quando você acha que ele vai relaxar, lá vai o roteiro bater na tua cara te dizendo pra acordar.

O único problema do filme é o anti clímax, a vibe pós-terror (ainda chama assim), mas pensando bem, o filme segue o ritmo de 600 anos atrás, quando as bruxas faziam suas filhas e as criavam no meio do nada, onde comer um cogumelo selvagem pode abrir seus olhos e mudar sua vida inteira, onde mijar no rio pode matar meia cidade, quando o medo do padre é a própria natureza.

Uma experiência sensorial inesquecível.

Quer dizer, tudo o que já foi ainda é.

E essa é a beleza do filme.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

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