Essa semana está linda para descobertas de filmes surpreendentes que em princípio estão fora do radar.
Fast Color, assim como os também recentes Brightburn e Vidro, é um filme sobre super heróis da vida real.
Ruth (vivida pela maravilhosa Gugu Mbatha-Raw) é uma mulher fugindo de seu próprio destino.
Por onde ela passa acontecem terremotos. Mesmo nos lugares mais improváveis e impossíveis.
Por isso ela já está no radar do governo americano que quer de qualquer maneira prendê-la para poder estudá-la.
Mas Ruth está cansada de fugir, está cansada de seu “poder”, até porque ela não sabe o que fazer com ele. E desta vez ela foge de volta para um lugar de onde já fugiu uma vez: a casa de sua mãe.
Que por acaso também tem poderes parecidos com os da filha.
E que também foge disso, escondida no meio do nada.
Sua mãe (a também ótima Lorraine Toussaint) vive por lá com sua neta, filha de Ruth que obviamente também tem poderes e que como sua mãe antes dela, quer crescer e fugir de lá por não aguentar mais viver escondida.
Fast Color tem todas as “regras” de um filme de super herói, de um X-Men da vida.
Mas que diferente do blockbuster e como disse antes, com super heróis da vida real, não existe Professor X que sabe de tudo e tem uma mansão que ensina o que os poderosos devem fazer.
A grande coisa que Fast Color tem com o outro é a nóia do governo em prender esse povo e tirá-lo de circulação.
A metáfora às minorias continuam aqui. E mais legal ainda, em Fast Color a gente percebe o quanto Ruth, sua mãe e sua filha parecem ser uma família de bruxas prestes a serem queimadas na fogueira por terem poderes que talvez elas mesmas não queiram ter e que por forças que não delas mesmas passam de mãe para filha por gerações.
A minoria de antigamente vista através de uma família de negras, que poderiam ser escravas fugidas, lésbicas com medo. A lista das perseguidas é enorme como bem sabemos nesses dias que vivemos.
E também diferente de outros filmes dos super heróis de capa e efeitos espetaculares, Fast Color é um filme pequeno, com mais closes que planos gerais, mostrando o quanto os problemas do dia a dia são tão ou mais importantes que o poder de salvar a Terra e quem sabe o Universo inteiro.
Quando a gente assiste um desses filmões a gente acredita no que vê mas não sente o que assiste.
Em Fast Color o que a gente vê acontece com a gente também, a gente briga com a mãe e a filha, a gente tenta se reconectar, a conexão é automática, profunda.
E isso faz com que o espectador sinta tanto o que Ruth está passando, graças a diretora e roteirista Julia Hart que fez um filme pequeno mas poderoso, colocando o espectador em contato com uma história que poderia ter saído de uma HQ mas que também poderia acontecer com ele próprio.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

