Se tem uma coisa que eu não gostava até bem pouco tempo era filme com cavalo.
Sempre me vinham à lembrança aquelas porcarias da Disney dos anos 80’s.
Mas ultimamente alguns filmes muito bons com cavalo, como um dos personagens principais, me fizeram mudar de ideia. Tipo Domando o Destino.
The Mustang tem outro ponto a favor para ser visto obrigatoriamente: o belga Matthias Schoenaerts, que eu ao tanto.
O filme conta a história de Roman Coleman, um cara que está preso há 12 anos, muito muito violento.
Uma das primeiras frases que ouvimos dele é “eu odeio conviver com outras pessoas”.
Fofo, né?
No início do filme ele é transferido para uma prisão no meio do nada americano onde ele aos poucos vai ter que se acostumar com o dia a dia nada amistoso de quem já vive lá.
O que ele não esperava é que por lá existe um programa de reabilitação para os presos mais esquentadinhos a partir de uma terapia de treinamento de mustangues. Os cavalos, não os carros.
Roman começa o programa limpando a sujeira dos animais e aos poucos vai “subindo de cargo”, para sua sorte e de seu companheiro de cela que sempre reclama do cheio de merda.
Roman então começa a treinar um cavalo totalmente selvagem ao mesmo tempo que aprende treinar um cavalo totalmente selvagem, o que acaba sendo bem difícil.
Assim ele vai aprendendo a respirar, a relevar, a entender o tempo não só dele. Vai perdendo a paciência e aos poucos vai recuperando e crescendo a olhos vistos.
Paralelamente ele recebe visitas de sua filha de 16 anos grávida, querendo ser emancipada para poder vender a casa da mãe de Roman, sua avó.
E ele a trata em princípio muito mal, mas a medida que o programa vai funcionando, ele vai aprendendo a conversar, mesmo que sendo com uma filha que só o visita porque precisa.
O bom do filme da diretora Laure de Clermont-Tonnerre é que parece que ele foi escrito para Matthias brilhar, o que acontece.
O problema do filme é que apesar de ser muito bem fotografado, muito bem dirigido e com um elenco de apoio lindo com Bruce Dern e Jason Mitchell principalmente brilhando, The Mustang parece ser um filme institucional bem caro e bem feito para esse programa terapêutico do governo americano.
O roteiro é bom mas é absolutamente previsível, o que até poderia ser interessante se o final não fosse uma ode aos detentos que se saem bem na terapia da vida real.
Falta conflito, apesar de o roteiro nos mostrar vários, mas são todos mais que esperados num filme de prisão.
The Mustang acaba sendo um filme de superação radical, com uma cena final bem linda. Se fosse qualquer outro ator menos inspirado e com um physique du rôle menos apropriado que Matthias, o filme seria um desastre total.
A pegadinha é que geralmente filmes de superação tendem a ser piegas. E The Mustang está com metade de um pé no pieguismo.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬


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