188/2019 ANIARA

Surpresa absurda de meio do ano.

Aniara é uma ficção científica sueca que me deixou absorto e chocado mesmo.

O filme é uma distopia bizarra sobre um grupo gigante de terráqueos (ui) em viagem definitiva à Marte a bordo de uma nave que mais parece um desses navios gigantescos: a Aniara do título.

Nesse futuro bem próximo, a viagem para Marte dura apenas 3 semanas, tudo tranquilo se não fosse um parafuso.

Ao passar por uma turbulência, um parafuso lixo espacial bate na super nave e detona com ela inteira, tirando-a de órbita e sem chance de recuperá-la.

Assim, as 3 semanas para Marte acabam virando uma eternidade.

Literalmente.

Dentro da nave existe toda uma hierarquia de tripulação e funcionários, como é de se esperar, com o detalhe de todos terem uma educação de alto nível, onde qualquer um pode trabalhar em todos os “cargos” da nave.

MR, a protagonista do filme, é uma dessas geniazinhas que controla uma sala de meditação bizarra de maravilhosa que serviria para que os passageiros relaxassem nessas semanas de viagem.

Essa sala tem o poder de se conectar com todas as pessoas que nela estão e mandar lembranças boas, quase espirituais, individualmente.

O problema é que com o revés, o fluxo de pessoas a esta sala faz com que ela se sobrecarregue de energia humana e comece a entrar em colapso.

As pessoas, precisando cada vez mais se conectarem com algo fora de Aniara, não aceitam que a inteligência artificial que as mantinham sãs, acabam a destruindo e aos poucos vão criando outras formas de devoção.

Aos poucos a pressão vai caindo sobre MR, já que ela é a maior conhecedora do funcionamento da sala.

Aniara é dividido em vários capítulos temporais, que começam com 1 semana, 1 mês, 3 meses de diferença mostrando o que acontece na nave.

Aniara é um filme bem sueco acho eu, por algum conhecimento de convivência com suecos: frio, bem matemático, principalmente por ser pautado por uma sequência de capítulos numéricos com subtítulos e não o contrário.

No filme vemos muito o que o ser humano é capaz de fazer quando se irrita, ainda mais perdido no espaço, onde pseudo promessas não são possíveis de saciar a fúria de um bando de mimados exigentes.

O filme tem um probleminha só, na minha opinião. Ele poderia passar mais uma vez pela ilha de edição e ser mais enxuto em muitos momentos. Porque de resto, eu gostei muito.

O roteiro é interessante, nada do que já tenhamos visto.

A direção de arte é ótima, colocando um pouco de tecnologia no que estamos acostumados no nosso dia a dia, mostrando que daqui 50 anos ainda não seremos os Jetsons, estaremos mais parte do passado do que do futuro mesmo, diferente da expectativa dos anos 1950/60.

E filosoficamente falando, Aniara é um filme que mostra essa desilusão absoluta onde, como diz o capitão da nave que “agora temos que criar o nosso pequeno universo aqui dentro”, as pessoas que lá vivem não se sentem satisfeitas nesse universo como não se sentiam na Terra porque de lá fugiram.

O filme tem recebido muita crítica exatamente pelos “defeitos” que dão seu charme.

E se você for um chato que gosta de filminho com roteirinho bonitinho com começo, meio e fim de aula de cinema, nem chegue perto.

Aniara é um tapa na cara atrás do outro e o melhor: sem virada de roteiro surpreendente chata.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

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