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228/2019 THE LAST BLACK MAN IN SAN FRANCISCO

The Last Black Man In San Francisco talvez seja o filme mais melancólico de 2019.

Melancólico e lindo e emocionante e uma grande declaração à cidade de São Francisco.

Na minha opinião, a mais linda declaração de amor fílmica a uma cidade, bate todas aquelas compilações de curtas que fizeram de Paris, Rio, Nova Iorque.

O filme conta a história de Jimmie Fails e seu amor pela casa onde cresceu, que hoje em dia, obviamente está tomada pela gentrificação, como praticamente toda a cidade.

Sem se conformar por não morar lá, depois que seu pai perdeu a casa, como eles dizem no filme, no cachimbo do crack.

Mesmo com outras pessoas morando na sua antiga casa, ele vai lá, pinta os detalhes como deveriam ser pintados, cuida do jardim, tudo sem ter pedido autorização, sendo sempre pego pelos moradores, expulso pela “folga” e prestes a ser preso por invasão de domicílio.

Mas Jimmie e seu melhor amigo Mont não desistem e por um acaso do destino, conseguem ir morar na casa porque seus prévios inquilinos se mudaram e antes que alguém pusesse uma placa de aluga-se, eles a invadiram e tomaram posse.

Já viu algo parecido acontecendo perto de sua casa, principalmente se você mora em SP ou em alguma cidade grande?

Quer agora saber o mais foda dessa história? O filme foi escrito baseado em uma história real, vivida pelo próprio Jimmie Fails (sim, o personagem tem o mesmo nome do ator) com seu melhor amigo Joe Talbot, que vem a ser o roteirista e diretor do filme.

E o mais foda: eles conseguiram o dinheiro pra esse filme através de financiamento coletivo.

Basicamente o filme conta a história desses caras que tentam manter viva a história da última casa daquele bairro que já foi a periferia e hoje é hipster, da última casa que foi ocupada por uma família de negros sendo que o mais jovem deles quer que sua história não se perca em meio a cafés e academias e bares de gin.

The Last Black Man In San Francisco conta de forma bem sutil essa história, quase transformando-a em uma fantasia.

Em vários momentos do filme eu achei que o elenco sairia dançando e cantando, achei que animais em animação apareceriam, ets tomariam os céus, tudo para conseguir que Jimmie ficasse com a casa.

O filme é muito próximo estilisticamente de um petardo de 2018, Sorry To Bother You, sendo que aquele tinha os 2 pés na fantasia enquanto este se segurou mais, deixando apenas gostinhos do que poderia ter sido.

O casal de personagens principais, os 2 amigos que procuram seu futuro em seu passado, é uma das grandes coisas do filme. Em um momento alguns de seus amigos de rua até dizem que eles parecem um casal gay, mas na verdade o amor que ali existe vem de longe e nem é só sobre sexo, é algo que passa pelo físico e transcende para o viver, o sobreviver, o companheirismo. É o tipo de relacionamento ideal, onde tudo funciona perfeitamente.

Enquanto Jimmie tenta manter sua casa, o que ele procura em verdade é sua história, destroçada pela vida, pela pobreza, pelas drogas, pela família mesmo, tudo fora de seu controle.

Mas quando ele percebe que pode ter algum tipo de controle sobre aquela situação, Jimmie se joga e não pensa nas consequências.

E assim vai a vida, com uma lição dessas.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬

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