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Premiados no Festival de Berlim e no César francês: a polêmica nunca acaba.

O último final de semana foi a prova de que o cinema é SIM uma importante plataforma política.

Se alguém tinha dúvida da importância dos 4 prêmios que Parasita levou no Oscar e do quanto isso vai mudar a indústria americana (sim, eu acredito), as 2 principais premiações pós-Oscar confirmam que um filme não é nem nunca foi APENAS um veículo de diversão.

Sábado, 29 de fevereiro, ano bissexto, tanto em Paris quanto em Berlim pudemos ver a força que uma história contada em telas pode ter no dia a dia das pessoas.

Na entrega do “Oscar francês”, o prêmio César, o maldito polonês Polanski venceu os prêmios de melhor diretor e melhor roteiro com seu novo O Oficial e o Espião.

Em meio a aplausos efusivos, a estrela e a diretora de Retrato de Uma Jovem em Chamas, Adèle Haenel e Céline Sciamma respectivamente, se levantaram da plateia e saíram bravejando contra a academia francesa que leva em consideração o diretor pedófilo. Ainda.

Adèle, vítima de abuso de um diretor por anos quando começou sua carreira criança ainda, foi a mais enfática durante sua caminhada para fora do teatro.

Polanski não compareceu ao evento com medo de represálias, como ele mesmo disse, já que durante a semana passada inteira além da atriz, outras profissionais do cinema e grupos de ativistas deixaram claro que ele não era bem vindo.

E a discussão, que parece infinda, continua sobre o quanto devemos assistir filmes, ouvir músicas, ler livros desses seres abjetos que se mostram grandes artistas.

Cada vez mais eu tenho consciência de que essas pessoas são uns monstros, principalmente os pedófilos que agem a torto e a direito, como o próprio Polanski e o outro lixo do Bryan Singer. Não dá. Por melhor diretor que seja, eu não consigo separar o autor da obra, o monstro do filme, virtude pública e vício privado pra mim não funciona.

Já em Berlim, a entrega de prêmios do grande Festival de Cinema foi marcada por um acontecimento que há muito não se via.

O filme iraniano Sheytan vojud nadarad (There Is No Evil), do diretor Mohammad Rasoulof venceu o Urso de Ouro, o prêmio máximo do Festival.

Só que ele não pôde receber o troféu em mãos porque o governo iraniano não permite que ele viaje para fora do país em represália a seu cinema politicamente contrário à ditadura reinante e sobre a pena de morte.

Quem recebeu o prêmio em seu lugar foi seu produtor que dedicou o filme à equipe e elenco do filme que colocaram suas vidas em risco pela realização do filme.

Ainda em Berlim, o filme brasileiro Meu Nome é Bagdá venceu o prêmio de melhor filme na mostra Generation, grande feito da diretora Caru Alves de Souza.

Cinema é riso, choro, diversão, fazer pensar e também é resistência, luta e grito, muito grito para que muita gente ouça essas histórias.

César 2020 – os premiados

MELHOR FILME
Os Miseráveis

MELHOR DIRETOR
Roman Polanski (O Oficial e o Espião)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Parasita

MELHOR ATRIZ
Anaîs Demoustier (Alice e o Prefeito)

MELHOR ATOR
Roschdy Zem (Oh Mercy!)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Fanny Ardant (La Belle Époque)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Swann Arlaud (Graças a Deus)

ATRIZ REVELAÇÃO
Lyna Khoudri (Papicha)

ATOR REVELAÇÃO
Alexis Manenti (Os Miseráveis)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
La Belle Époque (Nicolas Bedos)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
O Oficial e o Espião (Roman Polanski, Robert Harris)

MELHOR ANIMAÇÃO
Perdi Meu Corpo

MELHOR DOCUMENTÁRIO
M.

MELHOR ESTREIA
Papicha

MELHOR TRILHA SONORA
Perdi Meu Corpo (Dan Levy)

MELHOR FOTOGRAFIA
Retrato de uma Jovem em Chamas (Claire Mathon)

MELHOR FIGURINO
O Oficial e o Espião (Pascaline Chavanne)

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
La Belle Époque (Stéphane Rosenbaum)

MELHOR EDIÇÃO
Os Miseráveis (Flora Volpelière)

MELHOR SOM
Alerta Lobo (Nicolas Cantin, Thomas Desjonquères, Raphaël Mouterde, Olivier Goinard, Randy Thom)

Festival de Berlim 2020 – Os premiados

URSO DE OURO | MELHOR FILME:
Sheytan vojud nadarad (There Is No Evil), de Mohammad Rasoulof (Alemanha/República Checa/Irã)

URSO DE PRATA | GRANDE PRÊMIO DO JÚRI:
Never Rarely Sometimes Always, de Eliza Hittman (EUA)

URSO DE PRATA | MELHOR DIREÇÃO:
Hong Sang-soo, por Domangchin yeoja (The Woman Who Ran)

URSO DE PRATA | MELHOR ATRIZ:
Paula Beer, por Undine

URSO DE PRATA | MELHOR ATOR:
Elio Germano, por Volevo nascondermi (Hidden Away)

URSO DE PRATA | MELHOR ROTEIRO:
Favolacce (Bad Tales), escrito por D’Innocenzo Brothers

URSO DE PRATA | MELHOR CONTRIBUIÇÃO ARTÍSTICA:
Jürgen Jürges pela direção de fotografia de DAU. Natasha

URSO DE PRATA | 70th BERLINALE:
Effacer l’historique (Delete History), de Benoît Delépine e Gustave Kervern (França/Bélgica)

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