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086/2020 O HOMEM INVISÍVEL

Só pela adaptação mais que pertinente da história clássica escrita por H. G. Wells em 1897, O Homem Invisível já merecia a tarja de #alertafilmão e todas as 5 🎬 que eu costuma dar para os filmões por aqui.

O Homem Invisível de 2020 é o marido que ameaça, que tortura psicologicamente, abusivo até não poder mais e que acaba com a vida da sua esposa vivida com maestria pela queridinha da cientologia (que não me desce) Elisabeth Moss.

Eles moram em uma casa linda demais, que conhecemos logo no início do filme já que ela passa por todos os cômodos, inclusive pelo laboratório dele, daqueles de filme mesmo, enquanto ela se arruma e vê se está tudo ok para fugir.

E ela foge. Machucada, amedrontada, abalada, sem conseguir sair de dentro da casa que a abriga, achando que qualquer batida na porta é ele a procurando.

Dias depois ela recebe a notícia que seu ex marido se suicidou e deixou para ela uma herança milionária.

A partir de então ela começa a sentir uma presença a sua volta.

Ela tem certeza que ele está vivo e de alguma forma está acabando com ela.

A metáfora que eu contei antes, da mulher abusada, do marido sem escrúpulos é então levada a outro patamar quando ela começa a ser considerada louca.

As camadas de subtexto vão nos mostrando a preciosidade do roteiro do filme. Nada está no filme sem ter um porquê.

E esses porquês vão aos poucos se transformando e nos mostrando o quanto a vida de uma pessoa pode ir por água abaixo dependendo do quanto ela não é compreendida. Ou desacreditada.

O Homem Invisível é a prova cabal do que eu falo de horror da vida real, que o monstro que nos deixa loucos geralmente está ao nosso lado.

Eu só não dei nota máxima ao filme porque o terço final de O Homem Invisível me incomodou bastante.

O filme é de uma sutileza linda, apesar de ser de uma brutalidade imensa.

Enquanto só a esposa e o espectador sabe o que realmente acontece, enquanto só nós sabemos e acreditamos no homem invisível, o filme tem uma direção focada nessa sutileza cruel. É exatamente o contrário de quando vemos em filmes a mulher que apanhou do marido e diz que caiu da escada, por isso o rosto vermelho.

A partir do momento que os outros personagens começam a creditar na mulher que apanha, que ela apanhou de verdade, o filme se encaminha para um lado de porradaria e perseguição, quase como se fosse uma mistura de um filme do Jason com uma pegada de filme de briga de rua.

O que poderia ser bacana para quebrar com tudo o que veio antes, mas que pra mim, não funcionou tão bem.

Apesar desses pequenos pesares, O Homem Invisível é imperdível.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

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