168/2020 MARTIN MARGIELA: IN HIS OWN WORDS

Das coisas que eu mais me divirto assistindo é documentário sobre estilistas super conceituados, super famosos e super problemáticos.

Porque são todos assim, não necessariamente nessa ordem.

Digo que meu conhecimento de moda vem por ter trabalhado nos anos 1990/2000 fazendo muito vídeo e filme pra desfile de um monte de estilista bacana, mas também por ser meio que viciado nesses documentários e em Project Runway e todos seus spin offs e cópias. É o tipo de reality show que mais amo, junto com os de culinária.

Martin Margiela é um deles: dos mais conceituados de todos os tempos e famoso não só por sua roupa mas muito também por nunca ter dado entrevistas, tirado fotos de promoção e também por nunca ter aparecido ao final dos seus desfiles junto com suas modelos nas passarelas.

Bom, o problemático vem da mistura disso tudo.

A grande coisa desse documentário é ser narrado pelo próprio Margiela que, obviamente, não aparece, mostra no máximo suas mãos abrindo caixas e mostrando itens e peças e vestidos e desenhos próprios, super bem guardados, que servem para contar suas histórias.

O cara que apareceu como assistente de Gaultier, um dos maiores, logo mostrou ao que veio, com um desfile mais conceitual que o outro, sem nunca “se vender”, sem abrir mão de suas ideias e vontades.

Até que obviamente, de novo como todos esses grandes, ele assina um contrato com uma maison famosa e precisa desenhar coleções não mais para ele do jeito que ele quer e pronto, mas tem que entrar no esquema.

E se ele já era todo “encanado” e quase noiado sem estar no esquema, imagine quando entra, quando precisa dar satisfação a um bando de gente acima dele.

Eu sempre vejo esses filmes e quanto mais os assisto, menos me surpreendo: todos esses caras passam pelos mesmos percalços nos caminhos e, apesar de se conhecerem, de acompanharem os trabalhos uns dos outros, parece que não aprendem, porque todos repetem os mesmos erros que são até meio que pre estabelecidos pela indústria da moda, uma das mais predadoras, ainda mais para “artistas”, como se consideram esses estilistas.

Como o filme é narrado pelo próprio Margiela, a gente não tem muito o contraponto de quem o criticava. É todo mundo falando bem o tempo todo, o que é bacana, porque o cara era fodão mesmo.

Mas tem um monte de coisa na história que eu, que só acompanho ao longe a moda sem nem pretender ser um conhecedor, enxergo como uns belos de uns truques.

Mas o filme é bom, Margiela é um bom contador de histórias e enxergar o universo que ele criou e que pode ser visto até hoje em referências quase sempre explícitas demais, é uma delícia.

Só queria ver o que ele tem produzido hoje em dia, como ele conta no final. Mistério!

NOTA: 🎬🎬🎬1/2

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