194/2020 RELIC

Relic é a prova viva (ou quase viva) de quando eu digo que filme de terror sem monstro (ou quase) é sempre sobre a loucura humana.

O filme australiano mostra uma mulher e sua filha chegando à casa da avó, da mãe da mulher, onde ela nasceu e passou a infância porque a polícia ligou para ela depois que sua mãe, a avó, sumiu.

As 2 preocupadíssimas vão tentar achar a mãe mas mais que isso, tentar achar pistas pela casa do que poderia ter acontecido à mulher.

A primeira noite que elas passam na casa é de terror, onde os barulhos muitos não deixam que a mulher que lá nasceu e cresceu, mas que agora mora na cidade grande, durma.

Barulhos, aliás, que podem nem ter acontecido, porque muito estranhos. E a filha nem os ouviu.

Mas os níveis de percepção e desespero variam. E a sanidade também.

Alguns dias depois, o que acontece em bem pouco tempo de filme, a avó, a velha, reaparece em casa, como se nada tivesse acontecido.

Ela está mais enfraquecida que o normal, com alguns roxos pelo corpo, mas nada que uma idosa que more sozinha não tenha normalmente.

Será?

Relic é um absurdo de criador de clima.

Os 2 primeiros terços do filme dão nervoso porque, em princípio, nada acontece.

Mas a trilha de horror extremo é de deixar todo mundo muito tenso.

Qualquer virada de cabeça, qualquer porta aberta, qualquer corte de cena pode ser motivo para um susto.

Só que eles não acontecem.

Nada acontece.

Ninguém entende o que houve com a mulher, porque ela sumiu, porque o vizinho está proibido de visitá-la e vários outros por quês.

Até que a diretora Natalie Erika James parece que abre a represa do horror e vem aquela enxurrada de desgraceiras por cima da gente que nos faz afogar em medos inesperados.

E olha que disse que ela passa quase uma hora nos preparando pra esses medos todos.

Só que safadinha, o que vinha era pior ou maior ou sei lá o quê.

Relic é um filme de loucura.

Ou Relic é um filme sobre pesadelos vividos à luz do dia de olhos bem abertos.

Ou pior, Relic é um filme sobre destino, sobre herança, sobre o que a gente não pode fugir.

Relic é sobre isso tudo e quanto mais penso nele, mais viro fã da diretora, que além de tudo teve a brilhante ideia de ter como sua atriz principal a maravilhosa Emily Mortmer.

Se você tem medo de filme de fantasma, ou de filme de monstro, ou de filme de tetos que vão baixando sobre sua cabeça ou de chiclete que você vai mascando e não para de crescer na sua boca e você não consegue cuspir ou de sair andando sem roupa pela rua, ou de apodrecer…

Não, pera, isso tudo é pesadelo recorrente meu.

Mas também é o tipo de horror de Relic. Entendeu?

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

3 pensamentos sobre “194/2020 RELIC

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