198/2020 PALM SPRINGS

Quem diria, nobre leitor, que em nossos dias assistiríamos uma comédia romântica fofa de ficção científica com viagem no tempo, ou melhor, loop temporal.

E melhor, estrelada pelo hilário Andy Sambergh (Brooklyn Nine-Nine, Saturday Night Live) e a maravilhosa Christin Milioti, que bênção.

E melhor de tudo: Palm Springs é um puta filme.

A história se passa em um casamento, em um hotel em Palm Springs, onde Nyles (Sambergh) acorda com a maior cara de tédio, transa com a namorada, que é a madrinha, da forma mais desleixada possível e vai levando o dia com o jeito de bode total.

Ele inclusive vai ao casamento, onde todos estão super bem vestidos obviamente, de bermuda, chinelo e camisa florida, como se estivesse num churrasco.

Inclusive, fica tomando cerveja na latinha até na hora que rouba o microfone da namorada estúpida que deveria fazer um discurso de madrinha e ele fala lindamente.

O que logo a gente percebe é que Nyles está preso nesse dia há tempos. E nem ele tem certeza de quanto tempo. Imagina, hoje foi ontem e também vai ser amanhã, pro resto da vida.

Quando ele vai explicar para a irmã da noiva mais ou menos isso, ela não lhe dá ouvidos e acaba caindo nesse loop temporal sem querer.

No outro dia descobre seu destino: vai passar o resto da eternidade no casamento. Com Nyles, que ela nem sabe direito quem é.

E pra piorar, com um outro cara que… Deixa pra lá.

Não, desculpe, pior de tudo é ficar preso em um casamento meia boca pro resto dos dias, já que se você morre, você acorda de novo na mesma manhã.

Deprê o suficiente?

Não se você acha a pessoa ideal para passar a eternidade.

Outro dia falando de The Old Guard falei de vampiros e highlanders imortais. Mas aqui é pior porque você é imortal mas só vive o mesmo dia.

Cúmulo do desespero, se não fosse engraçado.

A beleza de Palm Springs, diferente de, por exemplo, Feitiço do Tempo (o melhor de todos, também estrelado por um ex Saturday Night Live) é que a comédia leve dá brecha para discussões filosóficas profundas sobre o ser e o nada, sobre a eternidade, sobre vida, morte, tudo isso sem parecer pretensioso nem chato.

Afinal, essas questões profundas vão surgindo a medida que os dias vão passando, ou melhor, se repetindo e o (não) casal preso no loop vão chegando a conclusões sobre assuntos que nunca tinham sido importantes antes.

O poster do filme, que você pode ver aqui no post, é lindo, com os 2 deitados em bóias em uma piscina infinita.

Cada um recebe a eternidade que merece, certo?

Fiquemos com essa reflexão.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

5 pensamentos sobre “198/2020 PALM SPRINGS

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