257/2020 PROFESSOR POLVO

Se você não sabe, eu tenho escrito e postado aqui sobre 1 filme por dia desde 2016, sem falhar um dia.

E se você não sabe, isso foi uma “receita” do meu psiquiatra pra melhorar a minha depressão, foi meio que um exercício que ele me passou, dentre outras coisas, que se mostrou muito efetivo e que acabou virando um dos prazeres da minha vida desde então.

Escrever e postar todos os dias no meu caso, mergulhar e tentar interagir com um polvo foi o que salvou a vida do cineasta Craig Foster.

O cara estava em seus piores momentos, como conta no documentário Professor Polvo da Netflix, quando resolveu mergulhar todos os dias em uma praia perto de sua casa na África do Sul, uma prainha escondidinha, no meio do Cabo das Tormentas (lembra das aulas de história, do Vasco da Gama?).

Lá ele encontrou um polvo que todos os dias nadava perto de onde ele mergulhava e que aos poucos, foi se tornando seu melhor amigo. Se bobear, o cara se apaixonou pelo polvo, nem que tivesse sido um amor que só o Platão pudesse explicar, mas o que vemos no filme foi profundo.

E isso não foi um trocadilho com o mar nem nada, até porque eu digo que a minha repetição diária e incessante de escrever sobre filmes acabou virando uma paixão também.

(Aliás, se você está numa fase ruim da vida, achando que está com depressão, a primeira dica que te dou e de procurar ajuda médica e depois eu sempre digo que essas repetições diárias me tiraram do fundo do poço. E se você precisar conversar mais sobre depressão, só me chamar que ajudo como posso.)

Voltando ao filme, o detalhe importante de Criag ser um documentarista e de ter uma equipe à disposição é a coisa mais linda. E o olhar dele que percebeu que aquele polvo coberto de conchas era uma personagem especial é demais.

Eu sou apaixonado por polvos, minha tese de mestrado em Transmídia é muito baseada na vida e no funcionamento biológico dos polvos. Eu sou do time que acha que eles não são alienígenas, mas sim a versão mais inteligente do ser humano, que resolveu viver num mundo de 4 dimensões (o fundo do mar) ao invés de ter vindo para o nosso mundo 3D onde a gente teve que desenvolver um tronco todo pra separar os nosso órgãos do cérebro, a boca do sexo, os 3 cérebros em um só maior e mais besta.

Aos poucos Craig vai percebendo o quanto aquele polvo é uma das coisas mais inteligentes que ele já encontrou na vida e vai tentando tanto que consegue se aproximar e descobrir mais e mais sobre aquele ser.

Eu fiquei bem impressionado com a ética do documentarista que sabia o quanto poderia interferir na vida de seu personagem, algo que vem sendo discutido ultimamente nos círculos cinematográficos quando o casal de diretores do documentário Honeyland declarou esse ano que havia comprado uma casa para a protagonista de seu filme.

A única coisa que me irrita muito em Professor Polvo é esse título em português, um erro imperdoável da Netflix.

Apesar disso, indico o filme de olhos fechados e coração aberto, por ser um filme de superação através de encontrar um sentido novo para sua vida, por ser um filme que mostra que o amor aparece onde a gente menos espera e principalmente por mostrar o quanto os polvos são criaturas inteligentes, espertas e impressionantes.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

3 pensamentos sobre “257/2020 PROFESSOR POLVO

  1. doc de vida animal mais lindo que eu já vi. amo o genero, nem todos transformam o animal em um personagem quase humano?? uma historia de amor e amizade, lindo

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s