305/2020 QUANDO ANOITECE #MOSTRASP

Vou começar essa resenha com uma lição: se o filme tiver no elenco o Cosmo Jarvis, assista que a satisfação é garantida.

O cara só acerta, é impressionante, como a gente pode ver aqui, aqui e aqui.

Em Quando Anoitece, Jarvis entra quase no meio do filme, como o amigo de infância e em princípio desafeto de Cole (Phillip Etinger que arrasa em First Reformed), o cara mais fofo possível, um caipirão que trabalha como assistente em asilo, cuida dos seus avós velhinhos, cuida de outros velhinhos que vivem sozinhos em sua cidade caipiraça no meio do nada.

Sabe o cara bacana, de coração bom?

Só que ele tem um lado mais estranho também.

Cole vende drogas. Sabe essas drogas que são o horror americano, o oxi e afins, que são as versões farmacêuticas da heroína e que estão matando meio mundo, inclusive o Michael Jackson e o Prince?

Cole é fornecedor.

E como esse fofo consegue as drogas?

Ele compra as receitas dos velhinhos que geralmente tomam esses comprimidos pra dor.

E vende as pílulas pros junkies.

Ele ganha, os velhinhos ganham e os junkies ganham. E morrem, eventualmente.

Todo mundo gosta de Cole, todo mundo conhece Cole e ele vive sua vida de traficantezinho de meia pataca sossegado.

O traficantezão da cidade não o incomoda porque ele também não incomoda o cara, já que dizem que Cole é a porta de entrada dos junkies, que depois de passarem por suas pílulas, eles procuram o grande.

A polícia não se incomoda com Cole, sabe dele e fica só de olho, já que ele é o menor dos problemas da cidade.

Até que chega Terry, o ex amigo do mal, que vem com ideias bizarras de virar o grande traficante do lugar passando por cima não só do amigo fofo, mas da polícia e dos donos do tráfico.

O que 10 anos atrás seria um filme de tiroteio, degola, morte violenta e perseguição, Quando Anoitece, no auge de 2020 é um drama pesado e triste, muito triste, sobre o cara fofo, sem mãe, sem perspectiva que de repente vê seu mundo virar de ponta cabeça.

Quando Anoitece é aquele filme que está passando desapercebido pela Mostra.

Seu diretor Braden King não é famoso, o elenco é bem desconhecido em geral, com uma ponta bem linda da ótima Lily Taylor e o pior de tudo, para o público da Mostra, é um filme americano, já que todo mundo procura os filmes pequenos de lugares que nem estão no mapa.

Mas Quando Anoitece é o filme que me deixa feliz, com um trilha perfeita, elenco incrível e o roteiro que te deixa totalmente com vontade de saber como vai acontecer, o roteiro da desgraça anunciada mas que vai bem devagar surpreendendo tanto com a leveza quanto com a beleza de seus personagens.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

2 pensamentos sobre “305/2020 QUANDO ANOITECE #MOSTRASP

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