341/2020 AMMONITE

Ammonite é o novo filme de um dos nossos (nossos porque eu sei que você também o admira) diretores preferidos, o inglês Francis Lee de um dos nossos (de novo) filmes preferidos dos últimos anos, God’s Own Country.

Lee conseguiu fama e fortuna com aquele filme, brincadeira, só fama e em Ammonite ele foi um pouco mais ousado em relação ao elenco e conseguiu duas monstras.

Kate Winslet vive Mary Anning, uma paleontologista que viveu no início do século XIX e conseguiu fama por descobrir fósseis jurássicos na praia da cidadezinha onde morava.

O filme nos mostra o quanto Annie tinha uma vida bem desgraçada, morando e cuidando de sua mãe insuportável e não podendo viver o amor que sentia por uma vizinha rica.

Em Ammonite (as “pedras” que envolviam os fósseis que Annie encontrava), não vemos Kate Winslet sorrir nenhuma vez. Só uns esboços perdidos em alguns momentos.

E isso é a grande coisa do filme, onde em certo momento, Annie recebe uma proposta de um admirador de seu trabalho para que ela cuide e “ensine” a esposa do figura, meio que como uma estagiária, já que ele precisa viajar e ela está mal de saúde e só vai atrapalhá-lo.

O que ele não esperava, nem Annie e nem a esposa/estagiária Charlotte (Saoirse Ronan) é que uma paixão avassaladora nasceria entre as duas.

Ammonite, se pensarmos friamente, é uma versão lésbica de God’s Own Country, onde duas pessoas (homens lá, mulheres cá) absolutamente diferentes se apaixonam perdidamente sem nem entenderem como ou porquê.

A diferença é que em seu filme anterior, Lee não tinha a pressão nem a lupa magnificante que agora tem, principalmente por ter em seu elenco não só duas (Kate e Saoirse) se beijando e se pegando mas também uma das grandes atrizes inglesas na ativa, minha preferida Fiona Shaw como a vizinha rica.

Em Ammonite, Lee conta uma história não tão original de uma forma quase burocrática, sem as veias poética e filosófica que ele tanto usou em seu filme anterior.

Mas nem por isso Ammonite deixa de ser um bom filme, com uns detalhes incríveis como o barulho dos sapatos das mulheres andando nos chãos de madeira das casas e nas ruas de pedra e de como um cabelo castanho levemente prateado e mal cuidade, mostrando a idade da personagem de Kate e muito de sua personalidade, em contraponto ao figurino e a perfeição de maquiagem e cabelo das outras 2 mulheres por quem ela se interessa.

Mas ter deixado de lado as oportunidades que ele teve com as descobertas das pedras e dos fósseis, os bichinhos de porcelana da mãe de Annie, as portas trancadas, o médico apaixonado (Alec Secareanu de GOC), dão uma desanimada no roteiro.

Eu ficava esperando o tempo todo uma aprofundada que não teve, o que foi uma pena.

NOTA: 🎬🎬🎬1/2

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