173/2021 ERA UMA VEZ A MÁFIA

Era Uma Vez a Máfia poderia ser o início de uma história da carochinha, de uma fábula infantil só que com uma vilã como personagem principal.

O documentário de Franco Maresco, em cartaz na Festa do Cinema Italiano, com exibição grátis na próxima quinta feira, acaba sofrendo com essa vilã que como podemos ver, ainda assusta não só o imaginário popular mas sim a vida dos habitantes de Palermo, a capital da Sicília, o berço dessa máfia que vemos pairar sobre esse filme.

Maresco, em seu filme, tenta nos mostrar as comemorações dos 25 anos de um atentado que matou 2 juízes daquela cidade a mando do chefão da Máfia que foi capturado e condenado por isso à época.

Só que como vemos, nada mudou 25 anos depois.

Com a ajuda de uma amiga, a grande fotógrafa italiana Letizia Battaglia que alcançou fama mundial por sua cobertura aos horrores cometidos pela Cosa Nostra em sua cidade natal, Maresco nos mostra um festival de música “neo melódica” organizado por Ciccio Mira, um ex apoiador da Máfia que depois de uma vida toda está agora, como ele mesmo diz, denunciando a podridão de Palermo, apesar de não vermos exatamente isso, principalmente pelo medo que seu sócio na empreitada.

Era Uma Vez a Máfia acaba sendo um documentário satírico, quase que uma comédia pastelão, de tantos absurdos que vemos na condução da história.

O diretor Maresco, creio eu, vendo onde seu projeto estava indo parar, ligou o “foda-se” e se jogou de cabeça no absurdo.

Se o filme tivesse uns 40 minutos a menos seria uma obra prima, mas as quase 2 horas arrastadas de Era Uma Vez a Máfia me deixaram mais com raiva do diretor do que com os abusos da máfia em si.

Não me lembro de ter dado risada em outro documentário com tema tão pesado quanto desta vez e todos os méritos vão para o talvez fracasso de Maresco e seu projeto original.

Saber quando parar e como cortar cenas é uma arte mas a arte maior aqui foi a de ter percebido o quanto o filme que ele teria feito não poderia ter sido finalizado.

Na média, Maresco passou de ano e ainda levou o prêmio do Juri do Festival de Veneza de 2020.

NOTA: 🎬🎬🎬1/2

Resenha em 30 segundos ou menos:

Trailer:

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