296/2021 URUBUS

Urubus é o máximo.

E é brasileiro, é escrito pela Mercedes Gameiro, uma amiga de últimos anos que me surpreendeu com esse roteiro, é dirigido pelo Claudio Borrelli, um dos grandes diretores de publicidade desse brazilsão que só confirmou a que veio mesmo e tem um monte de amigas e amigos meus na equipe técnica.

Só por esse motivo de afinidade eu normalmente não escreveria sobre o filme, porque pode parecer puxa saquismo ou que eu estaria sendo parcial. Se eu não tivesse gostado do filme não postaria nada aqui, ligaria pra todo mundo elogiando e muito que bem, como faço com muitos filmes brasileiros.

Mas Urubus é o máximo e eu preciso escrever aqui que o filme estreia na #MostraSP #45Mostra e que você que está lendo não pode deixar de assistir online, só clicar aqui, pagar e aproveitar.

O filme conta a história de pichadores paulistanos, aqueles artistas até hoje menosprezados pelo público por “sujarem” as fachadas dos prédios com seus rabiscos que na verdade são letras de alfabetos criados como identidade, para se destacarem e para mostrar quem são.

Seus pichos são protestos nada silenciosos, são enormes, são barulhentos, são gritos em forma de spray nas nossas caras, na cara da sociedade dizendo, olha só meu povo, estamos aqui e não vamos pra lugar nenhum, só pra cima.

Porque quanto mais alto eles chegam, mais eles são vistos por todos nós.

E entre eles, quanto mais alto chegam, mais respeito conseguem.

Tal como os pichadores da vida real, os urubus chegam alto e quanto mais alto, maior a visibilidade e pior a queda.

Mas Urubus, o filme do Borrelli, chega lá no alto e fica, surpreendendo com uma história necessária, contada do ponto de vista da molecada.

E o diretor e toda sua equipe foram finos o suficiente para não quererem aparecer demais no meio daquele universo de onde eles eram primeiro espectadores e depois, veículos para que a história dos caras que picharam o andar inteiro vazio da Bienal fosse ouvida e assistida mais uma vez.

Borrelli dirige muito, sabe exatamente como colocar sua câmera, dirigir seus atores, arrumar sua luz para sumir atrás disso tudo, para deixar o universo que criou aparecer.

A luz do filme, inclusive, é um dos pontos altos de Urubus: em nenhum momento do filme eu achei que tinha um refletor escondido atrás das câmeras. A luz parece toda vinda da cidade, das ruas e da própria falta de luz, já que os urubus trabalham nas sombras para deixarem seu recado, suas assinaturas e seu rastro de arte, de vida e de resistência.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

Um pensamento sobre “296/2021 URUBUS

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