335/2021 O ÚLTIMO DUELO

Depois de falar um monte do fracasso que é o mais recente filme do Ridley Scott House of Gucci, esperei meses pra falar deste anterior O Último Duelo.

Que também não é um grande filme, mas não decepciona tanto.

Eu tinha certeza que haveriam pontos em comum mas não imaginava que seriam tão óbvios, como ambos começarem da mesma forma, quase contando o final, parando no momento anterior à morte aqui no duelo e lá, na morte do Gucci.

Já aqui a culpa não é de Scott, é do roteiro, que foi escrito pelos brothers Matt Damon e Ben (blergh) Affleck.

E adivinha quem estrela o filme? Os dois, claro.

Quer dizer, o filme deveria ter a Jodie Comer como estrela, já que a história toda gira em torno da personagem dela, Marguerite de Carrouges, que é estuprada por Le Gris, de Adam Driver (sim, de novo), amigo do personagem do Jean de Carrouges (Matt Damon) que é casado com Marguerite.

O Último Duelo é baseado em uma história real, que não se segura em 2h30 de filme, já que o que interessa é que o casal, lá no século XIV, não se bicava com o rei Charles VI (Affleck) e por isso ele dá ao amigo Le Gris as terras ricas do casal.

Le Gris, por sua vez, morre de inveja do amigo Carrouges, da vida, da família, do casamento dele e aproveita pra estuprar sua esposa Marguerite.

Que se revolta!

Fica doida da vida.

Não se conforma que foi abusada e resolve botar a boca no trombone, mesmo sabendo que isso pode acabar com sua reputação e pior, com a de seu marido.

O último duelo do título é a forma de resolver problemas de honra naquela época.

Quem sobrevivesse ao duelo seria porque deus assim quis e então, estaria certo na questão.

Se o estuprador matasse o marido, a esposa também morreria, só que na fogueira, porque o estuprador não teria estuprado, segundo deus.

Se o marido vencesse o duelo, a esposa e a honra do casal seriam respeitadas novamente porque deus assim quis.

História bem boa, de uma das mais famosas francesas feministas da história.

Só que o filme acabou sendo sobre os dois ex-amigos e seu duelo pela honra.

E pior: o roteiro é contado a partir do ponto de vista dos 3, o que seria bem bacana se chegasse ao nível de um Rashomon da vida, sabe aquele truque bom de contar a história sob vários pontos de vista diferentes?

No final das contas a dupla Matt e Ben não é boa não.

O roteiro é fraco, a ideia veio por água abaixo e a gente fica 2h30 vendo a mesma coisa de novo e de novo e uma terceira vez, sem novidades nos 3 pontos de vista diferentes. Detalhezinhos bem sutis que não importam muito no roteiro e pior, com uma oportunidade muito perdida com a sogra de Marguerite.

É tudo tão igual que eu juro como o mestre Ridley Scott também não chegou lá e disse: pera, tem alguma coisa errada aqui.

Se o filme tivesse 1 horinha a menos, tá, se fosse uns 40 minutos mais curto, seria lindo, porque tudo é bom no filme. Fora o roteiro.

Se o foco fosse mesmo na Marguerite da Jodie, que é uma atriz maravilhosa, O Último Duelo ganharia muito.

NOTA: 🎬🎬🎬1/2

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