337/2021 BELFAST

Kenneth Branagh é um diretor que eu admiro um monte. Ator e diretor, pra ser mais preciso, gosto muito do cara.

Ele é um dos grandes conhecedores de Shakespeare hoje em dia, fez vários filmes baseados na obra do bardo.

Fez um vilões icônicos já, fez de tudo, de Frankenstein a Thor, de comédias românticas a filmes de ação.

Agora ele lançou Belfast, filme pequeno feito durante a pandemia que conta sua própria infância, de quando ele vivia em Belfast na década de 1970 e os conflitos entre católicos e protestantes estouraram na cidade, no seu bairro e pior ainda, em sua rua, onde viviam pacificamente católicos e protestantes, vizinhos e amigos, sem problema nenhum.

Mas naquele momento uma turba raivosa e violenta resolveu que aquilo era inconcebível e uma guerra religiosa começou na capital irlandesa, proibindo a convivência entre pessoas dessas 2 diferentes crenças.

No meio do furação estava o menino Buddy (o estreante Joe Hill que rouba o filme com sua fofura), seu pai (Jamie Dornan) que trabalha em Londres porque a Irlanda está em crise e sua mãe (a maravilhosa Caitriona Balfe, de Money Monster e Outlander, que se não virar estrela de Hollywood logo, não sei mais nada).

A história dessa família quase disfuncional e seus probleminhas se torna um drama enorme pela situação de quase guerra, por eles viverem como eu disse no olho do furacão, em uma das poucas ruas de Belfast que isso acontecia.

Tudo isso agravado pelo fato do pai trabalhar longe e só vir pra casa a cada 2 semanas e porque a mãe do Buddy ainda tem que se preocupar com os avós do menino que moram perto (o melhor casal do ano, Judi Dench e Ciaran Hinds), casal fofo que troca declarações de amor até o fim do filme, única coisa que emociona de verdade em Belfast.

Porque sim, o filme é uma porcaria.

Belfast é mais um desses filmes que prometiam ser o filme do ano, com inúmeras indicações ao Oscar, por ser um filme fofo, sentimental, lindinho.

Mas Belfast parece um musical ruim e mal fotografado em preto e branco, dirigido pelo Linn-Manuel Miranda. Imagina o caos.

O roteiro é fraco de tudo, a história é um monte de cenas repetidas do casal discutindo, de visitas aos avós, de cenas na escola, dos protestantes dizendo que mandam no pedaço como mafiosos/milicianos de quinta, o pai volta pra casa, discute com a mãe, volta pra Londres, discute por telefone com a mãe, volta pra casa, repete, e Buddy ouvindo tudo, sabendo de tudo, como é em família pobre que mora em casa pequena onde não dá pra se esconder.

As cenas fofas poderiam ser fotografias, o que eu acho que o diretor deve ter feito a partir de suas lembranças.

São cenas legais mas que não pertencem ao filme em si, ao enredo geral, como se fossem retratos de um álbum que se abre no meio do nada e logo se fecha de novo.

De novo, não me conformo com o hype do filme, inclusive em uma entrevista de Branagh para o Steven Colbert, o apresentador diz que Belfast é o melhor filme que ele assistiu nos últimos 10 anos.

Adoraria saber o quanto um cara desses ganha pra falar um absurdo desse nível.

Belfast tá longe de ser maravilhoso, longe até de ser bom.

É um filme que vai passar agora nessa época de festivais e daqui 1 ano a gente só vai lembrar dele porque vai ser o filme de estreia do menino Joe Hill.

NOTA: 🎬🎬

3 pensamentos sobre “337/2021 BELFAST

  1. Parabéns! Eu já nem sei se ‘falta tempo’ ou eu que tô devagar. Já não assisto tantos filmes como você. Mas suas resenhas são únicas. Prossiga!

    PS vou deixar de assistir séries ‘rssss’

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