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100/2025 ARMAND

Armand é a prova cabal de que o cinema “nórdico” está numa escalada de ascensão absurda e ninguém vem prestando muita atenção nesse evento.

Todo mundo fala de filmes ótimos como A Pior Pessoa do Mundo mas ver o que tem vindo na cola do Joachim Trier, de se afastar da fama, ou estigma, dependendo de cada um do Dogma, é grande.

Armand é mais uma surpresa incrível.

O filme levou o Caméra D’Or, que vai para promeiro filme em Cannes 2024 provando que a estreia do diretor norueguês Halfdan Ullmann Tøndel é mais uma carreira que eu com certeza vou seguir de camarote.

Armand é um moleque de seus 6 anos de idade, que a gente nunca vê no filme, que é acusado na escola de ter batido em seu melhor amigo e abusado sexualmente dele no banheiro escolar.

Por isso os pais de ambos são chamados pela diretoria para conversarem sobre as consequências desses atos abjetos, como alguém fala no filme.

Em princípio os pais do menino abusado são bem amigos da mãe de Armand, Elizabeth (Renate Reinsve), mas à medida que a professora deles vai contando como e o que aconteceu exatamente na escola, as coisas vão ficando feias. E estranhas.

Elizabeth, que é uma atriz famosa e tem toda uma aura de “diferente”, vai questionando todo o tratamento que ela vem recebendo na história e principalmente o tratamento que seu filho vem recebendo, porque quando ela chega lá, ele já foi “condenado” por seus atos, inclusive pelos pais do amiguinho que sabiam de tudo e estão lá preparados para o que vai vir.

Mesmo com essa aparência, ou melhor, fama de “malucona”ou diferente, como disse antes, Elizabeth vai se mostrando absolutamente centrada a ponto de tentar resolver o problema todo com a lógica necessária e que até então não existiu nem por parte da professora, nem por parte da direção da escola, já que quando eles se encontram, todo mundo está com a decisão feita de que Armand é um monstro porque os pais do amiguinho assim decidiram.

Mas esse drama é muito maior do que eu esperava, com um roteiro inteligentíssimo ao mesmo tempo que bem sutil. Nas mãos de um diretor mais escandaloso, tipo um Lars Von Trier, Armand teria virado um pseudo horror descabelado com acessos de fúria dos pais dos meninos mas o diretor Halfdan, sutil como eu já disse, conseguiu articular seus personagens para estarem a ponto de explosão, sempre no “quase” final, o que faz de Armand uma bomba relógio prestes a ser acionada.

Falta pouco.

E esse pouco que falta é o segredo do filme ser tão incrível, essa decisão da direção é o que fez toda a diferença para que Armand seja um dos grandes filmes do ano, daqueles que merecem ser revistos para matar a saudade de um diretor nada escandaloso, o que é raro nesses dias de hoje.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬

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