101/2025 MICKEY 17

Eu juro que não entendo o povo que detonou Mickey 17, o novo filme do grande diretor coreano Bong Joon-Ho, que quebrou todas as expectativas da indústria do cinema mundial quando seu filme anterior Parasita venceu o Festival de Cannes e depois venceu 4 dos principais Oscars: melhor filme, roteiro original, direção e filme internacional, sendo o primeiro filme não falado em inglês, aqui no caso, coreano, a vencer o Oscar de Melhor Filme na história.

O tão aguardado retorno do diretor coreano estreou em janeiro no Festival de Berlim com muita crítica acho que esperando o novo Parasita.

Mas Bong Joon-Ho foi mais esperto que todo mundo e voltou às suas origens, aos seus filmes de monstros com os 2 pés na crítica social. Sim, sua crítica social não veio com o Parasita.

Mickey 17 é a versão número 17 do personagem de Robert Pattinson, que pra fugir de su vida horrorosa na Terra horrorosa de um futuro distante, se alista para trabalhar como “dispensável” em um nave espacial que vai colonizar o planeta Nilfheim.

Os dispensáveis são usados como cobaias para tudo que possa vir a matar os ocupantes da nave. E depois deles morrerem, ressuscitam com o mesmo nome e um número diferente.

Mickey é um tonto, perdido, quase ingênuo demais, que poderia ser amigos do Jim Carrey em Débi & Lóide. Mas aos poucos ele finalmente começa a se envolver com as pessoas certas, quer dizer, com mulheres inteligentes demais até pra ele e começa a perceber o quanto ele é erroneamente explorado e seu corpo abusado infinitamente pelo dono da nave, o presidente não eleito dessa nova empreitada e sua esposa superficial e manipuladora, Kenneth e Yifa, vividos brilhantemente por Mark Ruffalo e Toni Collette, que dão show, principalmente Mark que faz seu Kenneth como um Trump mais alucinado, com os mesmos cacoetes que o presidente laranja e com a mesma esperteza do mal.

O filme pega fogo quando o Mickey 17 é deixado para morrer por uns monstrinhos quase fofos e eles produzem o Mickey 18, numa máquina que é uma impressora de gente, maravilhosa, que dá pau como uma impressora nossa de papel. A única regra que essa empresa/nave/império tem é que 2 dispensáveis não podem existir ao mesmo tempo. Se isso acontecer ambos devem ser mortos/destruídos. Quanto o Mickey 18, o oposto de seu sucessor, um cara quase do mal, descobre que o 17 ainda está vivo, ele faz de tudo para matá-lo mas aos poucos ele também vai descobrindo que quem tem que morrer não é o seu igual, mas o bilionário/presidente/ditador que usa e abusa de seus empregados.

Sim sim, a história toda é um libelo socialista basicão, para que o público possa entender as metáforas, que são muitas e me cansaram um pouco, de um filme que se propõe a ensinar um pouco, já que sempre cobram por aí que todo mundo TEM que aprender com os filmes, que nada é só diversão.

Bom, Mickey 17 é ambos, é diversão das boas e é também um aulão de sociologia e política contemporânea.

Pra ser sincero, o filme me cansou um pouco, tem uns 20 minutos a mais do que o necessário e tem também muito vai e vem de roteiro do aulão, como chamei, muita metáfora, muita explicação, o que me irritou.

Mas a direção de Bong é das melhores sempre, o cara sabe exatamente o que vai fazer e vai lá e faz, sendo um usuário pesado de story board, é daqueles diretores que resolve tudo antes de ir filmar, já ssabe como vai ser seu filme, já tem tudo desenhado literalmente. Mas com a possibilidade ainda de mudar tudo nos cenários, nas diárias, o que deixa tudo mais interessante.

E Robert Pattinson dá um show no filme. Além do ditador de Ruffalo, o bobão de Pattinson é um personagem que não vai ser esquecido por muito tempo. A fisicalidade de Robert só melhora. O que a gente já tinha visto em The Batman aqui alcançou uma altura inexplicável.

E se você quer se divertir, dar risada e de repente perceber que na verdade você tá rindo de si mesmo, que nós todos somos os tontos que produzimos cópias de nós mesmos pra um sistema insano, se jogue em Mickey 17 que a diversão é mais que garantida.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

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