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151/2025 O INTRUSO

O mais triste depois de assistir um filme tão porcaria quanto O Intruso é ler um bando de críticos baba ovos dizendo qué inovador, ousado, e mais um monte de adjetivos estratosféricos, como diria o outro.

O Intruso é a versão pornô de Teorema do Pasolini, passado na Inglaterra dos dias de hoje onde o tal intruso, ou o visitante no título original, um homem negro nu, fotão e bem avantajado, aparece em uma praia, dentro de uma mala.

Ao ser liberado da mala por um sem teto, ele chega a uma casa de uma família rica onde ele faz sexo com todo mundo.

Infelizmente a comparação com o Teorema do Pasolini é inevitável.

Lá, o intruso era como um anjo, com um discurso avassalador sobre classes e a maneira como ele seduzia a família entrou para a história do cinema.

Aqui o diretor Bruce LaBruce reconstrói a história do visitante, tirando todo e qualquer diálogo do filme e contando tudo através de cenas de sexo explícito e de personagens de um universo totalmente Bruce La Bruce, um mundo queer onde só faltava o visitante, o intruso para acontecer como acontece.

Bruce La Bruce é um dos meus artistas preferidos de todoss os tempos. Fotógrafo, diretor de filmes, provocador, depravado, sem vergonha.

Ele bem discretamente (se é que isso seja possível) revolucionou o pornô gay, fazendo filmes explícitos com skinheads ou com zumbis e mais recentemente fazendo um filme lindo em um convento.

Mas aqui o cara errou a mão.

Seu cover do Pasolini é quase uma piada, de tão malucão que tenta ser e acaba indo por um caminho sem volta.

E o problema de O Intruso é não ter essa volta. LaBruce caiu no próprio buraco. Em um momento eu imaginei que O Intruso erra o filme pornô com historinha. E quase é.

Só que na verdade O Intruso é o filme pornô com historinha sem historinha.

E essa foi a parede que La Bruce construiu em seu filme, deu de cara com ele e viu o sangue escorrendo nas luzes estouradas, na trilha cafona e na atuação exagerada de seu elenco, alguns níveis acima do que precisava, já que a alegoria gay, contemporânea e iconoclasta do diretor.

Como se close em pinto duro ainda chocasse alguém em pleno 2025.

Sou super fã, mas aqui não rolou mesmo.

NOTA: 🎬1/2

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