O cinema coreano chegou a um nível tão incrível que uma comédia de ficção científica de super heróis como este Hi-Five não chega a ser estranho. Ou diferente. Ou bizarrro.
O filme é tudo isso: engraçado nível Trapalhões, onde um grupo de 5 pessoas (os Hi-Five do título) se tornam super heróis após passarem por uma quase morte e receberem transplantes: um de fígado, outro de córnea, outro de pulmão, outra coração e outra volta à vida depois te uma tentativa de suicídio.
Eles logo se encontram, entendem quais são seus poderes e palnejam ajudar as pessoas.
Só que, e sempre tem um só que, existe um líder religioso doidão, bem messiânico, que se acha Deus com D maiúsculo, que gasta alguns dos milhões que ele “ganha” enganando seus milhões de seguidores, que votla à vida e já quer esses órgãos milagrosos que os Hi-Five receberam.
O roteiro é um caos e digo isso como o maior elogio possível. É uma vai e vem de ações, dramas, risadas e de repente a gente enxerga uma sequência quase filosófica onde o diretor e roteirista Kang Hyung-chul começa a nos explicar ou nos mostrar o que está por trás dos poderes e das pessoas poderosas do filme.
A comédia é sempre um empecilho pra mim, nesses dramas orientais e principalmente em um filme de ficção científica e fantasia como este. Mas eu entendi o riso neste filme como um alívio cômico, como os ingleses dizem.
O pai da garota que recebe o coração e vira uma pessoa super forte e super rápida é o maior chorão de tanto que ama a filhinha indefesa e a protege com a força que não tem mais mas que já teve quando 20 anos atrás foi campeão de jiu jitsu em Barcelona. Quando ele aparece é certeza que vamos relaxar um pouco porque na sequência a porrada volta com tudo.
E como todo início de grupo, os 5 recém super heróis, que nem sabem exatamente pra que servem seus poderes, vivem dando cabeçada um no outro, se estranhando e aos poucos se descobrindo como grupo cheio de pessoas estranhas mas que estão a fim de encontrar um denominador comum. E isso é um dos grandes trunfos do filme, ter (super) heróis bem relacionáveis, bem gente como a gente e ter um vilão da pior espécie possível, o dono de igreja crente que engana todo mundo e sonha em ser deus. Um vilão bem relacionável, bem “normal” pra gente e ao que tudo indicca, bem “normal” pra Coréia também.
Diversão das melhores em um filme pop e profundo ao mesmo tempo, mostrando que isso ainda é possível no cinema de hoje em dia.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

