O que poderia dar errado em um filme dirigido pelo ótimo Julian Schnabel, um artista plástico americano fudidíssimo que alguns anos atrás também começou a fazer filmes, baseado em uma ficção incrível, com um elenco bem acima da média, muito dinheiro de produção, filmado em lugares lindos?
Bom, um resumo do erro: o filme parece que foi escrito pelo Tarantino nos seus (supostos) piores dias de uso de drogas brancas inaláveis e dirigido pelo iconoclasta italiano mais sem vergonha, Paolo Sorrentino.
Dois nomes importantes do cinemão (no mau sentido) atual mas que não combinam quando juntos, como podemos ver aqui.
Na Mão de Dante, In The Hand of Dante é um thriller, baseado em um livro de sucesso com uma premissa ótima: um bandidaço colecionador de arte do mercado negro (John Malkovich) descobre que existe um mannuscrito de Divina Comédia de Dante, o que é negado por todo mundo, já que não há provas de nada escrito por Dante, fora um texto curto de um escritor italiano seu contemporâneo.
O bandidão contrata um escritor americano (não se sabe a razão) obcecado por Dante (Oscar Isaac, que faz o escritor americano e o próprio Dante em flashbacks intermmináveis) para ir até a Itália com seu brutamontes sanguinário (Gerard Butler) atrás do manuscrito e eles nnao só voltam com o tesouro em mnaos como deixam um rastro de sangue por onde vão passando.
Nas 2 horas e 40 minutos de duração do filme nós vemos uma rede de traições e dúvidas e enrolações para que esse manuscrito seja validado por quem quer que seja (e eles tentam todo mundo) para que isso não vá para um museu e se torne a principal descoberta artística do século mas sim acabe nas mãos de um bandido doido por arte e fique no aparador do corredor dos quartos de sua mansão.
Quando disse que parece que o Tarantino escreveu o filme é porque o roteiro tem tanto diálogo sem propósito metido a moderninho/popzinho/engraçadinho que faz do thriller quase que uma poaródia.
E quando falei do Sorrentino, Schnabel tenta aqui emular tanta referência de clássicos de todos os meios artísticos possíveis que o filme ao invés de parecer uma visita ao Louvre parece uma visita a alguma exposições imersiva de algum shopping center de Miami.
Pra piorar, Schnabel errou feio no elenco, colocando um bando de homens muito feios e caricatos, de Isaac a Butler, de Malkovich a uma sequência inicial com Al Pacino quase patética, que só não é pior que ter que suportar a sionista Gal Gadot. Pra nossa sorte Schnabel se mostra aqui bem machistão que esse é o tipo de filme que a mulher tá ali atrás calada só pra não reclamarem tanto, mesmo ela sendo um lixo de pessoa.
Apesar de todos esses pesares, o filme tem um personagem incrível, um tipo de mentor de Dante Alighieri, quase que um mago Merlin do Arthur que está prestes a tirar a espada da pedra, vivido pelo Martin Scorsese numa perfeição inesperada.
Ah sim, o filme se passa nos dias de hoje mas também na época que Dante estava escrevendo e “publicando” sua obra prima, só para mostrar em qual papel ele escreveu sua ode a Beatriz, que não era sua esposa, diga-se de passagem. Papel esse produzido na cidade de Fabriano, a melhor produtora de papel na Idade Média italiana, cidade que meu avô nasceu, lá na Ancona.
Ah sim (2), o filme estreia nos próximos dias no Festival de Veneza, depois de passar 2 longos anos pronto e sendo rejeitado por todo mundo, por motivos, óbvios.
Mas uma cópia de In The Hand Of Dante “vazou” e aqui estamos nós discutindo o filme que ainda não e nem precisava ser.
NOTA: 🎬🎬


Um pensamento sobre “230/2025 IN THE HAND OF DANTE”