O austríaco Peacock é um filme que vem dividindo opiniões desde sua estreia 1 ano atrás no Festival de Veneza.
Mentira, não tem opinião dividida, o filme é sucesso por onde passa.
A única opinião alheia a essa unanimidade é a minha.
Peacock é sobre Mathias (o meu preferido Albrecht Schuch, de System Crasher, Berlin Alexanderplatz) um cara que trabalha para uma empresa que o aluga. Não, ele não é michê, ele faz todo tipo de trabalho menos o sexual.
Ele é o acompanhante que sabe tudo de música clássica, cheio de opiniões.
Ele também é o filho de um casal que o trata mal, principalmente nos eventos onde os 3 participam.
E assim Mathias vai, fazendo tudo desde que lhe paguem bem. Quase tudo, menos sexo.
Dizem, ou o dirtor diz, que Peacock é uma sátira, uma grande crítica, às máscaras que usamos no nosso dia a dia, às várias pessoas que somos, dependendo do ambiente que frequentamos, com Mathias nos personificando, mostrando toda sua forca, sua potência de se adaptar mas também todos os seus medos e os seus defeitos, que são vários, que por muito ficam escondidos sob as meascaras que ele usa no seu dia a dia.
A direção de Bernhard Wenger é bem boa, criando personagens concretos o suficiente para que contem bem a sua história.
O problema do filme é que Wenger “se inspira” muito no cinema do amado e odiado sueco Ruben Östlund, principalmente em seu filme The Square – A Arte da Discórdia.
O roteiro do drama engraçadinho tenta ser cínico por vezes, causando uma estranheza que não cabe em Peacock, exatamente por causa do engraçadinho, que pode ser traduzida como falta de ousadia mas também como falta de poder ou de excelência do diretor.
Você tem que ser ousado para ultrapassar barreiras extremas como faz muito bem Östlund, o grego Yorgos Lanthimos ou o inglês Peter Strickland, que vão sem pena e sem vergonha para o lado do surreal ou do super real, do fantástico, do estranho, mesmo em filmes aparentemente normais.
Bernhard Wenger mostrou a que veio, tem vontades e se tiver culhão, seu próximo filme vem dando tapa na nossa cara porque vontade dele tem, só falta um pouco de arroz com feijão e um produtor que banque suas loucurinhas que estão prestes a acontecer.
NOTA: 🎬🎬🎬1/2

