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248/2025 ROLLING PAPERS

A comédia Rolling Papers, pra chegar chegando, é a indicação da Estônia a uma vaga ao Oscar 2026 de Filme Internacional.

Duvido muito que o filme fique entre os 15 da short-list, os 15 melhores filmes internacionais de 2025 para a Academia de Hollywood.

Isso porque Rolling Papers, apesar de ser na verdade uma comediazinha, é um filme bem pretensioso, uma mistura de Kevin Smith com Godard.

Faz sentido?

Quase nenhum.

O que tá tudo bem, se o diretor e roteirista Meel Paliale não ficasse o tempo todo nos “avisando” que o filme é baseado no Godard, por exemplo.

E nem só em referências de fotografia, de enquadramento, mas tem um momento meio constrangedor que o personagem principal fala isso. Para nossa sorte, pelo menos, não foi quebrando a quarta parede, olhando para a câmera.

Mas o filme é sobre 2 caras que nunca se viram na vida e que de repente viram melhores amigos de infância quando um dele vai comprar seda pra enrolar cigarros em um mercadinho que o personagem principal, um looser nos seus 20 e tantos anos, trabalha no caixa.

Eles se dão bem de cara porque ambos vivem vidas, como eles mesmos dizem, que não servem pra nada, principalmente por morarem na Estônia congelante.

E eles chegam à conclusão que se eles se mudarem para o Brasil, tudo vai melhorar, porque por aqui é sol o ano inteiro, a comida é boa, as prais, os coqueiros, as palmeiras, tudo é ótimo. E tem o Ronaldinho.

Como eles tem uma fortuna de zeero dinheiros, eles resolvem vender drogas só pros amigos para conseguirem dinheiro e realizarem seu novo sonho de vida.

Fim.

Brincadeira.

Apesar de ter somente nem 100 minutos de duração, muito acontece em Rolling Papers, só que esse tudo é meio nada. Como são meio nada os 2 amigos que só falam no Brasil, que não tem ambições, que não tem contade de fazer nada diferente na vida, que se recusam a trabalhar porque isso trabalho é o opressor oprimindo e oprimível e por aí eles vão.

Se Rolling Papers fosse estrelado por um elenco de seus 17, 18 anos de idade em média, acho que o filme seria pelo menos mais engraçado, como eram os filmes do Kevin Smith. Principalmente porque eu tenho cada vez menos paciência com adulto se portando como adolescente, dando uma de loucão sem conseguir “se bancar”.

O problema é que o diretor, neste ponto, focou no Godard, no hedonismo político de Jean Paul Belmondo em O Demônio das Onze Horas quando em 1965 tinha uma história para ser contada.

60 anos depois a história mudou, a vida mudou e os personagens que lá funcionam não necessariamente funcionam mais. E aqui se mostra a diferença de uma homenagem fílmica para uma cópia cuspida e escarrada, sem pudor e sem muito a se pensar.

Além disso, enquanto o diretor francês ou mesmo Kevin Smith tinham o que dizer, mesmo quando não diziam nada, aqui eles só não dizem nada na história de uns caras perdidos que ainda precisam levar uns chacoalhões de mulheres e que nem a metáfora que não existe do frio funciona, já que o diretor gosta de deixar tudo às claras porque, como eu disse, ele deve achar que seu público não consegue compreender nada como seus personagens e por isso ele explica tudo, até o que não tem explicação.

NOTA: 🎬🎬🎬

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