250/2025 NOBU

Nobu é aquele documentário bem chapa branca que a gente (eu mesmo) quase odeio.

Explico de novo: documentário chapa branca é aquele feito sob medida pra falar bem do personagem principal do filme, de sua trajetória profissional, de sua história, como se fosse um filme de propaganda institucional, que serve para falar bem do personagem e tudo mais.

Neste caso, o filme é sobre Nobu, o chef japonês Nobu Matsuhisa, o menino pobre que morava nos arredores de Tóquio e que quando pela primeira vez experimentou sushi, quando adolescente, num jantar pago por seu irmão mais velho, ele resolveu que queria ser um sushi man (escrevo isso porque ele conta essa historinha umas 4 ou 5 vezes no filme).

Só que o filme começa nos mostrando o chef Nobu milionário, dono de um dos maiores conglomerados de restaurantes com seu nome pelo mundo e também com hotéis, expandindo ainda mais o império Nobu, sempre com seu primeiro amigo, depois cliente e agora sócio Robert De Niro.

O documentário mostra que Nobu é um velhinho fofo, muito rico, com jato e barcos e casas pelo mundo, todas com suas cozinhas de sushi e com uma família que o ama e o admira.

Claro. Milionário.

Mas tudo o que deve ter de bom na comida que ele criou, como seu prato assinatura, um bacalhau negro marinado por 3 dias que Nobu mostra sempre que pode no filme como se prepara, come se serve, porque deve ter o peso estipulado, nem mais nem menos.

Todo o umami, o novo sentido, o novo sabor, que dizem existe em seus pratos, em sua comida, em seu sushi, falta neste documentário, mai, inodoro e insípido possível.

A diferença deste filme para o documentário chapa branca de Romero Britto é que aqui temos um real mestre em sua área, um chef que a seu modo, deu uma nova cara a culinária japonesa primeiramente nos EUA e depois pelo mundo, aí já por causa da fama e não mais, eu acho, pela qualidade em si ou pela revolução culinária que Nobu tenha feito.

Como comecei esse texto, Nobu é um fofo, mas toda hora que eu vejo ele e sua esposa entrrem no jatinho me dá uma vontade de gorfar de leve. Sim, eu sou o chato consciente que não se conforma com os jatinhos de milionários, com os iates gigantes de milionários, com esse povo acabando com o planeta e ter ainda gente que babe e os considere heróis.

Aliás, vemos mais o jatinho e os iates do velhinho do que a comida que ele faz.

Pra isso, ou melhor, por isso é que filmes como este documentário são feitos, para tentar limpar a barra de milionário, de mostrar como o tadinho veio da pobreza e chegou ao alto, como se isso lhes desse carta branca para se portarem como qualquer outro milionário escroto, o que já é um pleonasmo.

NOTA: 🎬🎬🎬

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