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279/2025 SUMMER TEETH

Tem coisa mais legal na comédia que a ironia e a sátira? Acho que não.

E tem coisa mais legal um ano (este 2025) com mais de um filme incrível da Croácia? Também não.

Depois da surpresa (e meu preferido) Fiume O Morte, Summer Teeth chega com os 2 pés no nosso peito com uma ironia política ao mesmo tempo fina e esculachada.

O filme começa em um bunker, aproximadamente nos 1970’s, onde 2 cientistas criam uma arma química para acabar com o “gene nacionalista”, nazi-fascista.

Ao serem cobrados por seu comandante Tito, eles dizem que a criação não deu certo e ao invés de sua finalidade, acaba potencializando tal gene transformando os idiotas em fanáticos. O General manda acabar com todo o estoque da droga mas décadas depois, uma velhinha fofa, que vive na ilha onde o bunker funcionava e que ainda existe, usa umas cápsulas que encontra nas coisas do marido falecido, que por acaso era um dos cientistas do experimento e usa em sua plantação.

Os tomates não só crescem lindamente, o que pra ela é ótimo, porque vai vender tudo, mas acaba (como previsto) transformando os idiotas em fanáticos nacionalistas, em neo-nazis ridículos, como zumbis com dentes de vampiros que pretendem morder as pessoas e transformá-las em idiotas nazi-fascistas, ops, em zumbis, ops, o que é a mesma coisa.

Mas calma que essa história é contada através de uma gama de personagens tão interessantes, de um fracassado da capital Zagrebe que vai morar na ilhota de 200 habitantes porque não tem mais jeito onde ele vive, à dentista da ilha que ao mesmo é a mais esperta do povoado mas também quase que a mais ingênua.

Fora a avó tomateira, a melhor personagem do filme, uma velhinha doidinha que queria o neto gay por perto mas se conforma com o amigo dele, o fracassado que também é ingênuo e romântico e quanto mais tenta ajudar na história que vai se perdendo, mas se perde junto, o que é ótimo.

Relendo este texto não era nada do que eu pretendia escrever, de como eu pretendia resenhar esse filme.

Tinha pensado em fazer um texto politizadão, chamando atenção da ironia como forma de luta, de como o diretor Dražen Žarković é genial o suficiente para criar um roteiro forte e pungente que deu vida a uma comédia que é quase um pastelão mas que serve como “arma”, só que das bacanas, contra o ultra nacionalismo que vem tomando conta do mundo inteiro e pelo que vemos aqui, também da lindíssima Croácia que, como vemos no já citado Fiume O Morte, vem passando por perrengues político-geográficos desde sempre.

Só pra finalizar, assistir uma comédia política de zumbis nada parecida com o que vemos na pasteurização da “zumbizada” que aparece por aí, é um alívio para nossos olhos cinéfilos cansados dos mesmos preguiçosos.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

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