Há muitos filmes, muitos meses, anos, quiçá, eu não chorava tanto quanto chorei aqui.
Meses atrás eu lembro de ter chorado quando vi o trailer deste filme pela primeira vez, até postei em algum lugar dizendo que iria passar mal com o filme. E não deu outra.
Ozzy: No Escape From Now é um documentário sobre os últimos 4 anos da vida de Ozzy Osbourne sem saber que seria este o ponto principal do filme.
Nesses últimos anos, Ozzy teve muitos problemas de saúde, sofreu com muita dor, muita depressão, (quase) tudo causado por um erro médico horroroso, ao passar por uma cirurgia de coluna mal feita e desnecessária.
O documentário é muito triste porque acompanhamos essa “rotina da dor” do Príncipe das Trevas e de sua família, em especial de sua mulher Sharon que não sai do seu lado pra nada.
O drama de ver os 3 filhos de Ozzy contando essas histórias de doença também leva o clima do filme lá pra baixo, onde o sofrimento de um afeta a vida de todos que acabam passando por outros tipos de sofrimento advindos daquele principal.
Esse “tema” do filme é muito identificável por qualquer pessoa que tenha família, que tenha pais, avós com qualquer tipo de problema físico. E não estou falando de dramas irreversíveis, problemas extremos. Por menor que seja a doença, o problema pelo qual passe alguém mais velho, esse sofrimento se alastra por quem os ama.
Eu sofri muto com a história que assistia, fiquei com muita raiva do médico que errou na cirurgia de coluna e me lembro o quanto eu me solidarizei com os Osbournes à época que isso aconteceu, até porque passava por traumas parecidos na família.
Mas não foi nada disso que me fez chorar copiosamente.
E nem é esse o foco do filme, apesar de que por momentos pareça ser.
Eu solucei de chorar TODAS AS VEZES que Ozzy ia cantar. Ou gravar música. Ou se preparava para ir pro estúdio. Ou começava a se preparar pra tudo isso, tirando forças sabe-se lá de onde para fazer últimas turnês, ir ao show onde foi iniciado no Rock and Roll Hall of Fame ou no mais épico de todos, o show de despedida na sua cidade natal Birmingham, com seus companheiros do Sabbath, sempre ao seu lado e mais o top do top do metal, comandados por Tom Morello.
Ver Ozzy em seu habitat natural é das melhores coisas da vida. Os shows dele que eu vi sempre foram aulas de ser artista, de se doar, de entregar tudo.
E ver Ozzy no filme dando tudo de si para sair do buraco depressivo que ele vivia, apesar de todo amor que o cercava e aqui o filme dá uma aula (sem querer) sobre uma pessoa com depressão, sobre o quanto o parkinson ia aumentando e a força de Ozzy ia diminuindo, tudo isso me fazia chorar de felicidade ao vê-lo recarregar energias no palco, cantando, fotografando, ensaiando.
Ir a show é onde eu mesmo recarrego minhas energias, na minha humilde mediocridade de observador e amante dependente de música.
Imaginava o quanto um artista do calibre de Ozzy se alimentava do palco, do ao vivo, da energia emanda pelo público, do amor que ele recebia em um show.
Ver o Ozzy chegar em um show de cadeira de rodas e sair andando é a prova de que a música se retroalimenta de vida. A energia da música, do show, do amor, é real.
E isso me fez chorar muito, me fez entender isso tudo de novo, e sempre e me fez querer que os próximos shows que eu vou, mês que vem, Massive Attack e Primal Scream com certeza vão me re-energizar.
E o filme me fez pensar em outra coisa que eu venho sofrendo nos últimos anos: tenho ido cada vez menos a shows por causa da shoppingcenterização dos festivais, onde a música acaba ficando em segundo ou terceiro plano. Mas isso é papo pra outro dia.
Por hoje, apenas assista o documentário do Ozzy em cartaz no Paramount+ e chore de felicidade.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

