Site icon Já Viu?

023/2026 ROMPENDO ROCHAS

Sara Shahverdi, a primeira mulher iraniana eleita para a vereança de sua aldeia, luta contra tradições patriarcais ao ensinar meninas a andar de moto, defender o direito à propriedade e combater o casamento infantil, apesar da forte oposição. O documentário acompanha a jornada de Shahverdi, que, mesmo enfrentando dúvidas e resistência, se torna um símbolo de resistência e esperança para uma nova geração. Vencedor do Grande Prêmio do Júri na categoria Documentário Mundial do Festival de Cinema de Sundance 2025.

Rompendo Rochas, Cutting Through Rocks, é o documentário iraniano que depois de vencer o Grande Prêmio do Juri de Sundance para documentário internacional, foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário.

E não por acaso.

O filme é quase um libelo contra a opressão, ao preconceito, ao machismo em pleno século XXI.

Sempre digo e repito que para um bom documentário o primeiro passo é encontrar um bom personagem.

A iraniana Sara Shahverdi é a personagem perfeita para um filme e a dupla de diretores SARA KHAKI e
MOHAMMADREZA EYNI soube contar sua história da forma mais pungente possível.

Sara é a primeira mulher eleita como “vereadora” de sua aldeia. E eleita com a maioria absoluta de votos, ela é a principal representante de seu povoado e a “dona” do carimbo que oficializa todos os documentos dos habitantes.

Sara não é uma mulher qualquer.

É a única de seus irmãos e irmãs que não se causou porque ficou a vida toda cuidando dos pais, dos negócios e terras da família, dos irmãos e irmãs menores e depois que as irmãs se casaram passou a ser praticamente a mãe de seus irmãos mais novos que só adultos, casados e com suas famílias passaram a tentar controlar os negócios da família.

Sara é uma mulher que dirige moto, o que não é bem aceito ou permitido no interior hiper tradicional e machista do Irã.

É uma mulher que não se veste com os vestidos e burkas mas sim usa calças e camisas, se cobrindo, como mandam, mas de outras formas. Só por isso ela é chamada por um juiz para fazer muitos exames porque ele (a justiça, o juiz) acha que ela deve fazer uma cirurgia de redesignação sexual.

Mesmo sem ela querer.

Ela ajuda as mulheres do seu povoado mas principalmente ajuda e educa as meninas a terem vidas de pessoas do século XXI, alertando sobre o casamento precoce, sobre largarem os estudos, sobre dependerem de seus maridos.

Mesmo assim em uma sala de aula de meninas que ela sempre vai dar palestras, depois de uns meses ela descobre que 80% das meninas já se casaram, todas elas com idade entre 12 e 14 anos.

Voltando a vereança, apesar de toda campanha feita pelos homens da região para ela não ser eleita, Sara consegue levar eletricidade para a vila e consegue acabar com a corrupção dos antigos vereadores com o tal do carimbo oficial que era usado indiscriminadamente.

Rompendo Rochas em quase sua totalidade parece uma ficção interplanetária, parece que a história se passa em um mundo surreal extraterrestre.

Não que tudo seja muito diferente do interior brasileiro profundo, ou de todos os interiores profundos pelo mundo afora, mas assistir essas histórias todas em um documentário, não ficcionalizadas, o choque é grande, é diferente.

E é de cinema de choque que a gente precisa, de filmes diferentes que a gente aprende, cresce, disute, repensa e chega a conclusões que mudam nossas vidas.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

Exit mobile version