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040/2026 TRAFFIC

Há muito tempo que o cinema romeno é um dos meus preferidos e Traffic só comprova a regra.

Este é o filme que o país europeu mandou para concorrer a uma vaga no Oscar 2026.

Por melhor que seja esse thriller político e sociológico, não é um filme que se equipare aos 15 finalistas. Mas foi por pouco.

O filme é baseado na história real de uns imigrantes romenos picaretas que roubaram obras de arte caríssimas de um museu holandês, de Picasso e Monet a Gauguin.

O que eles tinham de pretensiosos tinham de amadores, tanto que, sem spoilers, já que a história é real, eles logo foram encontrados pela polícia em seu país.

O ponto alto do roteiro é o foco do filme ser Natália (a maravilhosa Anamaria Vartolomei de O Acontecimento), a companheira de Ginel, um dos assaltantes, o mais bobo, ingênuo e despreparado de todos, que entrou na (literalmente) roubada porque além de não ter um centavo, devia dinheiro ao bandid(ã)o cabeça do roubo.

O problema é que o tal cabeça também era um tosco e logo ele percebe que a única ideia boa que teve foi como entrar no museu onde os quadros estavam sendo exibidos.

Traffic, como eu disse, não é só um thriller de roubo mas também um drama sociológico que discute imigração, o empobrecimento das classes mais baixas de países europeus, que ao mesmo tempo que estão perto de onde o dinheiro está, mais se sentem distantes das possibilidades enquanto enxergam riquezas esfregadas em suas caras.

O legal do roteiro é que não constroi um filme panfletário. E mesmo assim Traffic mete o dedo nas feridas mais que expostas da situação dos imigrantes de países vizinhos da Holanda do museu e da Bélgica, onde moram esses ladrões de galinha.

E ladrão de galinha aqui é uma crítica a ingenuidade e uma declaração de desespero dessas pessoas.

Os imigrantes romenos vão para a Bélgica e trabalham quase escravizados em plantações, em sub empregos, ganhando quase nada, quando ganham, já que são explorados inclusive em seus pagamentos com os descontos e atrasos que todo mundo já ouviu falar.

E eles são tão perdidos, os ladrões e todo mundo envolvido na história, que o fim dos quadros roubados, pelo menos a história oficial, é das mais bizarras de todas.

Dá mais ódio ainda do que o desespero causa nas pessoas, mais ódio ainda do que a vida mal vivida causa nas pessoas exploradas pelo sistema horroroso.

A diretora Teodora Ana Mihai transforma o roteiro do meu ídolo Cristian Mungiu em um filme impressionante onde o drama está no mesmo nível dramatúrgico do thriller.

Diferentemente de filmes que largam um gênero e pulam para outro descaradamente, Traffic usa os meios de ambos drama e thriller para contar sua história, o que deixa tudo mais único, inteligente e interessante.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

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